Natal será marcado por produtos nacionais, diz Abras

Apesar dos supermercados evitarem colocar produtos importados, encarecidos com a alta do dólar, preços devem subir em média 5% para o consumidor

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SÃO PAULO – O Natal deste ano deve ser marcado pela venda de mercadorias nacionais, e não importadas, como nos últimos anos. A afirmação é do próprio presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), José Humberto Pires de Araújo.

Produtos devem subir 5%

A alta do dólar acabou encarecendo os produtos importados, levando os varejistas a substituir estes produtos por similares nacionais, como forma de reduzir o impacto do dólar no orçamento do consumidor.

Ainda assim, a Abras acredita que os preços devam subir em média 5% até o Natal, de forma que o consumidor deve se preparar para gastar mais com os preparativos de Final de Ano. Este percentual seria um reajuste médio, que deve variar não só de acordo com o produto, mas também de acordo com a rede varejista.

O presidente da Abras confirma que a pressão de reajustes continua entre os fornecedores, que justificam o pedido alegando que os últimos aumentos foram feitos enquanto o dólar ainda estava ao redor de R$ 3,00. Contudo, os varejistas têm se posicionado contra estes aumentos, conseguindo em alguns casos evitar ou pelo menos minimizar o repasse ao consumidor. É possível que os varejistas optem por diluir estes reajustes entre vários produtos.

Natal verde-amarelo

Segundo levantamento da Abras, o Natal deste ano será marcado pela venda de produtos nacionais, que incluem bebidas, frutas frescas, carnes, panetones, vinhos, cervejas e refrigerantes. Alguns supermercados já estudam a possibilidade de aumentar em 15% o volume de compras de aves usadas na Ceia de Natal, como chester, peru e frango temperado.

Apesar da informação não ter sido confirmada, a iniciativa é possível, visto que os varejistas só renovam seus estoques de aves nos dias que antecedem o Natal, pois se trata de produtos comprados de última hora pelo consumidor. A estratégia tem como objetivo aproveitar novas quedas do dólar, para que os preços recuem ainda mais. Em sentido contrário, a Abras acredita que os varejistas devem comprar menos itens importados, como brinquedos, frutas secas e vinhos.

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Vendas devem subir em dezembro

No acumulado até setembro deste ano, o faturamento dos supermercados estava apenas 0,36% acima daquele registrado no mesmo período do ano passado. A Abras aposta que as vendas de dezembro devem ficar 2% acima daquelas registradas em dezembro de 2001. Com isto, o setor poderia fechar o ano com um faturamento de R$ 73,22 bilhões, cerca de 1% maior do que o registrado no ano passado.

Dentre os fatores que contribuiriam para este aumento nas vendas, Araújo cita o pagamento de décimo terceiro e expurgos do FGTS, assim como o último lote de restituição do imposto de renda. Somente o pagamento de décimo terceiro deve injetar R$ 30,5 bilhões na economia, mas como lembra o presidente da Abras, apenas parte destes recursos deve ser usada para o consumo, já que muitos consumidores devem usar estes recursos para quitar suas dívidas.

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