Não é mais segredo! Eles sabem que você compra Viagra e agora querem vender mais

As farmacêuticas e as empresas de Internet estão unindo forças silenciosamente para estabelecer registros de contas online nos Estados Unidos com o objetivo de segmentar anúncios para as pessoas, baseados em suas condições de saúde e nos medicamentos que compram.

Foto: Divulgação Pfizer
Foto: Divulgação Pfizer

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SÃO PAULO – Desde os tempos em que laxantes de rícino eram vendidos, farmacêuticos e doentes tiveram um entendimento tácito: o que alguém compra, é confidencial.

Já não é mais assim. As farmacêuticas e as empresas de Internet estão unindo forças silenciosamente para estabelecer registros de contas online nos Estados Unidos com o objetivo de segmentar anúncios para as pessoas, baseados em suas condições de saúde e nos medicamentos que compram. A iniciativa tem como objetivo impulsionar as vendas dos medicamentos.

Em um processo pouco conhecido, empresas de terceiros atribuem aos pacientes códigos numéricos exclusivos com base em seus registros de prescrição de medicamentos. Com o conjunto de dados, empresas farmacêuticas identificam grupos que usam um remédio específico e enviam anúncios personalizados para eles por internet. 

A prática se tornou uma parte essencial dos esforços de marketing digital da indústria farmacêutica. A indústria diz que a técnica está em conformidade com as leis de privacidade médica federais porque os nomes dos pacientes são ocultados. Ainda assim, os críticos vêem como uma violação da confidencialidade.

“Os comerciantes estão tratando nossos dados de saúde como se estivéssemos comprando um par de calças ou um livro”, disse Jeff Chester, diretor executivo do Centro para a Democracia Digital, um grupo de privacidade em Washington. “Isso é injusto. Estas são decisões sensíveis altamente pessoais que as pessoas fazem”, completou.

Lendo sua mente

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Vale lembrar que uma receita de Viagra ou Prozac não é o mesmo que um recibo de supermercado. Os pacientes estão se preocupando sobre as informações médicas disponíveis na internet.

“Só porque está dentro da lei não significa que é moralmente certo”, disse Aaron Laxton, um assistente social de 35 anos de idade, de Saint Louis, Missouri, que foi diagnosticado com HIV há três anos.

Laxton, que narra sua jornada após o diagnóstico em uma série de vídeos no YouTube, disse que não fica surpreso ao se deparar com anúncios de novos medicamentos para HIV enquanta navega pela web, mas se preocupa por isso acontecer com base no conhecimento de seus registros médicos. “É esta estranha a sensação de que o computador está lendo a minha mente?”, avaliou.