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SÃO PAULO – Os problemas da fabricante de carros GM com o defeito que atinge mais de 2 milhões de veículos e causou a morte de centenas de pessoas está longe de acabar. A montadora pode ter cometido um crime na tentativa de reduzir os efeitos do recall.
Segundo o jornal The New York Times, investigadores do Departamento de Justiça dos Estados Unidos afirmam que a empresa escondeu os defeitos encontrados nos carros e ainda enganou reguladores federais sobre a extensão dos problemas.
O caso pode resultar em uma multa recorde para a empresa, que deve ultrapassar os US$ 1,2 bilhão pagos pela Toyota em 2014 devido a um problema de aceleração repentina de alguns modelos. Há meses, a companhia tenta bloquear o caso na justiça, o que já foi criticado por congressistas americanos e está manchando a imagem da marca.
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Mesmo que consiga um acordo com o Departamento de Justiça, a GM ainda enfrenta inúmeras investigações de fraude ao consumidor e numerosas ações de lesão corporal e homicídio culposo, quando não tem a intenção de matar.
A montadora já gastou cerca de US$ 3 bilhões com campanhas de recall e outras questões de segurança no ano passado, incluindo a criação de uma reserva de US$ 600 milhões para compensar as vítimas de acidentes relacionados à falha.
Entenda o caso
Durante cerca de uma década, as diferentes marcas da GM produziram veículos com um defeito que provoca o desligamento repentino e involuntário do veículo, o que também significa a desconexão dos sistemas de segurança, como o air bag.
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Nesse período, a falha, que foi detectada em 2,6 milhões de carros, foi oculta pela montadora. Porém, fevereiro de 2014, ela reconheceu o defeito e ainda admitiu que ele havia sido responsável por mortes envolvendo acidentes de trânsito. Isso gerou um recall de 30 milhões de veículos em todo o mundo.
Após uma investigação interna, a GM estabeleceu um fundo de compensação para as vítimas, administrado por Kenneth Feinberg, advogado especializado em programas de indenização, e determinou que os pedidos por morte aprovados pelo fundo receberão uma indenização de US$ 1 milhão. Vale lembrar que as normas estabelecidas pela fabricante assinalam que as pessoas que aderiram ao fundo renunciarão a qualquer ação judicial contra a companhia.
O fundo de compensação anunciou, no início de maio, que estaria se responsabilizando por 104 óbitos. No entanto, outros órgãos e associações de clientes dizem que o número é de 474 mortes.