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Para a IBM, a conversão para a computação em nuvem está tendo um preço. Embora exista uma necessidade de impulsionar o crescimento no futuro, a empresa precisará sacrificar os lucros de agora.
A CEO Ginni Rometty está se concentrando em recolocar a International Business Machines Corp. no caminho do crescimento por meio de novas iniciativas ligadas aos ramos de análise de dados, dispositivos móveis e computação em nuvem — aquela na qual a tecnologia é entregue por meio da internet em vez de ser armazenada localmente. A computação em nuvem proporciona mais flexibilidade para os clientes encomendarem softwares e poderá limitar a necessidade de servidores e mainframes da IBM, prejudicando, assim, os lucros.
“É fundamental que a empresa converta esses clientes para as soluções baseadas em nuvem, o que poderá provocar um impacto na lucratividade, mas melhorará a visibilidade a longo prazo”, disse Bill Kreher, analista da Edward Jones Co. “Isso demandará execução e exigirá paciência”.
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É por isso que Rometty está tentando uma transformação nessa empresa de 103 anos, com mais de US$ 90 bilhões em receitas e 430.000 funcionários. A receita encolheu em todas as unidades reportadas e em todos os lugares no quarto trimestre e a nova diretriz da IBM para os lucros operacionais de 2015 ficou abaixo das estimativas dos analistas.
A mudança para novas iniciativas não tem sido rápida o suficiente para interromper 11 trimestres seguidos de quedas na receita. No ano passado, os lucros caíram pela primeira vez em mais de uma década.
A receita da IBM procedente da nuvem somou US$ 7 bilhões em 2014, com os produtos de nuvem entregues na modalidade software como serviço a uma taxa anualizada de US$ 3,5 bilhões. Mas, por enquanto, a IBM diz que não tem escala suficiente para compensar margens mais estreitas.
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Crescimento da nuvem
“Em 2015, especificamente, lidaremos com algumas transições em nosso negócio”, disse Martin Schroeter, diretor financeiro da IBM, em uma teleconferência com analistas. “Por exemplo, enquanto estivermos participando com tudo da mudança para a nuvem, as margens sofrerão um impacto pelo nível de investimento que estaremos fazendo e pelo fato de o negócio ainda não ter escala. À medida que os negócios crescerem, nós veremos algumas vantagens nas margens em 2015, na comparação ano a ano, mas não teremos escala”.
O mercado de nuvem pública crescerá em três anos, atingindo US$ 128 bilhões, segundo projeção da empresa de pesquisas IDC.
O fornecimento de softwares e serviços por meio da computação em nuvem é apenas um obstáculo que a IBM está enfrentando em sua transformação massiva. A empresa precisa lidar, ainda, com dificuldades de câmbio, cortes de empregos e uma queda na demanda por softwares e serviços mais antigos. A IBM previu um lucro operacional de US$ 15,75 a US$ 16,50 por ação em 2015 e a média das estimativas dos analistas é de US$ 16,50.
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As vendas no exterior foram prejudicadas pela valorização do dólar e pela desaceleração do crescimento em alguns mercados emergentes. As vendas da IBM para Brasil, Rússia, Índia e China — os chamados países BRIC — caíram 21 por cento nos últimos três meses do ano passado. Após ajuste pelas oscilações cambiais e pelas empresas desinvestidas, ainda houve uma queda de 8 por cento.
A IBM também assumiu uma conta de US$ 580 milhões no trimestre para “reequilibrar a mão de obra” em um momento em que a empresa se ajusta a novas formas de fazer negócios.
A projeção desapontadora da IBM para 2015 ofuscou os lucros do quarto trimestre, que superaram as estimativas dos analistas. Schroeter disse que a receita não aumentará no primeiro trimestre e também que ele não responderia a perguntas a respeito das expectativas de lucros para depois de 2015.