Mudança de gosto dos ricos leva BMW a prever o fim do apogeu dos carros esportivos

Na Europa e na América do Norte, o papel do carro como um símbolo de status diminuiu com o aumento da popularidade de seus primos crossover menores e dos SUVs

Bloomberg

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12 de novembro (Bloomberg) – A BMW AG disse que talvez os carros esportivos nunca voltem a ter tantos compradores quanto tinham nos dias de glória do mercado, antes da recessão mundial.

“O mercado de carros esportivos é praticamente a metade do que era”, disse Ian Robertson, diretor de vendas da BMW, em entrevista na sede da fabricante em Munique. “Depois de 2008, ele simplesmente desmoronou. Não sei se o mercado vai se recuperar completamente algum dia”.

Na Europa e na América do Norte, o papel do carro como um símbolo de status diminuiu com o aumento da popularidade de seus primos crossover menores e dos SUVs. Na China e nos mercados emergentes, o clima quente, a poluição e uma predileção por limusines com chofer superaram a popularidade dos carros esportivos entre os clientes abastados, disse Robertson.

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Apesar da retração econômica, vender um carro projetado para ter desempenho e atingir altas velocidades – com um preço em uma margem relativamente alta – é um aspecto importante da construção do fascínio de uma marca. É por isso que a BMW, famosa por produzir veículos esportivos de luxo, estabelecerá uma parceria com a Toyota Motor Corp. para dividir os custos de desenvolvimento de um novo carro esportivo de médio porte, disse Robertson. A dupla disse na semana passada que o projeto conjunto passou para a fase conceitual após a finalização do teste de viabilidade. As empresas não quiseram dar informações detalhadas.

Os mercados de automóveis da Europa e da América do Norte, onde carros como o Mercedes-Benz SLK, da Daimler AG, e o TT, da Audi, são populares no segmento esportivo, estão se recuperando lentamente após a crise financeira que provocou a maior queda da demanda em décadas. O crescimento anual superior a 10 por cento na Ásia ajudou a compensar as quedas.

Vendas em baixa

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As vendas globais combinadas do TT, do SLK e do Z4, da BMW, tiveram um pico de 114.000 unidades em 2007, antes de despencarem 45 por cento até 2010, de acordo com a empresa de pesquisa IHS Automotive. A demanda na China continuou sendo insignificante e as vendas globais devem chegar a cerca de 72.000 veículos até o final da década, disse a IHS.

“O mercado foi diluído por uma quantidade maior de ofertas criadas para atrair o tipo de segmento demográfico tradicionalmente associado a esses modelos”, disse Tim Urquhart, analista da IHS em Londres, por e-mail. “Profissionais jovens, urbanos e cada vez mais móveis agora podem escolher entre uma variedade muito maior de veículos que refletem estilos de vida, além dos carros esportivos”.

Enquanto o segmento de carros esportivos permanece estagnado, a BMW está estimulando as vendas de seus outros veículos. As remessas globais da marca aumentaram 9,3 por cento nos 10 primeiros meses do ano, para 1,47 milhão de unidades, o que faz com que o grupo como um todo, inclusive as marcas Mini e Rolls-Royce, esteja caminhando para vender mais de 2 milhões de veículos neste ano, disse hoje a companhia.

As fabricantes de automóveis tendem a buscar parceiros para limitar os custos de desenvolvimento de novas tecnologias e de veículos em pequena escala. Outra vinculação é a aliança entre a Daimler AG e a Renault SA-Nissan Motor Co., que se expandiu gradualmente além de projetos como as novas versões dos carros Smart, da Daimler, e do subcompacto Twingo, da Renault.

A BMW, a maior fabricante de carros de luxo do mundo, e a Toyota decidiram em 2013 colaborar nas bases de um veículo, o projeto mais visível de uma parceria mais ampla que também incluirá trabalhos conjuntos relativos a células de combustível e à tecnologia para reduzir o peso dos veículos.

A BMW está “dando passos muito progressivos com isso agora e veremos como vão ser os próximos meses”, disse Robertson.

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