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SÃO PAULO – Embora muitos já afirmem que a crise é tema do passado, o setor de móveis ainda vê nuvens de instabilidade pairando no ar. Desde que os primeiros sinais da turbulência financeira recaíram sobre o País, em setembro do ano passado, o setor vem registrando números negativos nas vendas e, desde março, as quedas giram em torno dos 10% ao mês.
Diante disso, há quatro meses, a Abimóvel (Associação Brasileira da Indústria do Mobiliário) e a Abipa (Associação Brasileira das Indústrias de Painéis de Madeira) conversam com o governo em busca da isenção da alíquota de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). “Já conversamos com a Fazenda, com o Miguel Jorge [ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior], com o Carlos Lupi [ministro do Trabalho] e tivemos boa receptividade”, afirmou o presidente da Abimóvel, José Luiz Diaz Fernandez.
Nesta semana, as duas associações também se encontraram com o Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, na tentativa de reduzir o imposto. “Continuaremos tentando a redução até obtermos uma resposta positiva do governo”, ressaltou Fernandez.
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Causas e consequências
O setor pede a redução a zero da alíquota de móveis e placas por seis meses. Hoje, sobre móveis, incide uma alíquota de 5% do tributo e, em placas, de 10%. No caso de móveis de metal e estofados, a alíquota atual de IPI também é de 10%. Para Fernandez, a redução a zero por um semestre é suficiente para ajudar a alavancar o faturamento do setor.
Desde outubro do ano passado, o setor moveleiro vem amargando números ruins. E as quedas de cerca de 10% ao mês são reflexo de um ciclo que começou com a retração dos mercados internacionais e as desvalorizações do dólar. Com as dificuldades em exportar, o setor se concentrou no mercado interno.
Na busca por atrair os brasileiros, a competitividade aumentou. Porém, a atenção dos consumidores voltou-se a outros produtos: automóveis e linha branca – ambos incentivados pela redução do IPI. “O dinheiro migrou para os eletros. O consumidor vê nas grandes redes propagandas de produtos que tiveram o IPI reduzido, então ele aproveita e deixa o móvel para depois”, explica.
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“Não somos contra os benefícios que outros setores receberam”, ressalta. “Porém, o setor moveleiro acabou sendo prejudicado e está carente de ajuda”.
Empregos
A preocupação com o aumento das vendas advém de outro maior: manter os empregos do setor. “Somos o nono setor da economia que mais gera empregos, somente nas áreas de madeira, painéis e móveis são cerca de 260 mil empregos diretos. Estamos preocupados”.
“Estamos em decréscimo. Não passamos bem pela crise”, comenta. Segundo o presidente da Abimóvel, o setor está com ociosidade de 37%. “Estamos apreensivos e se não fizerem algo vai ser difícil segurar os empregos e deve haver cortes”, alerta Fernandez.
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Segundo ele disse, o pedido de isenção foi calculado e deve trazer vantagens a todos: ao setor, ao governo e ao consumidor. “Mostramos a eles que, com a isenção, a arrecadação vai ser maior, porque as vendas serão maiores”.
Migração
O dinheiro do consumidor deve continuar migrando dos móveis para a linha branca. De acordo com a última pesquisa da Provar/FIA (Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração), o consumidor paulistano pretende gastar 19,3% a mais com produtos de linha branca (geladeiras, fogões) neste trimestre, na comparação com o terceiro trimestre do ano.
Já com móveis, a intenção de gasto é menor, registrando um aumento de 6,4% frente ao terceiro trimestre e uma queda de 32,1% na comparação com o quarto trimestre do ano passado. Segundo Fernandez, os aumentos nas vendas de móveis, comuns nessa época do ano, não devem registrar números maiores que os do ano passado.