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SÃO PAULO – Mobile payment. Muito tem se falado sobre a possibilidade do celular ganhar funções de cartão de crédito e débito na hora de se pagar uma compra, ou ainda, de se tornar um terminal de banco onde seja possível pagar as contas de luz, água e telefone, por exemplo.
No entanto, na prática, poucas ações estão sendo vistas. “Muita gente dá a entender que o mobile payment já é uma realidade no Brasil, mas existem pouquíssimas ações em funcionamento por um motivo fundamental: as operadoras e os bancos não conseguiram chegar em acordo sobre como isso vai funcionar”, explica o sócio da S. Goldstein Consultoria, Sérgio Goldstein.
Contrariando alguns estudos que apontam o medo de que o sistema não seja seguro, como uma das principais barreiras para a popularização do mobile payment, o consultor afirma que é a falta de um modelo de negócio que está impedindo a implantação da novidade no País. “É claro que as pessoas vão ter medo de golpes, mas o celular é muito mais seguro que a internet no quesito vírus e hackers. O grande problema na minha visão é a falta de um modelo de negócio. Os bancos e as operadoras não chegaram a nenhuma conclusão sobre de quem será o cliente que acessar o banco via celular. Quem vai receber pelo serviço: as operadoras ou os bancos? Isso atravanca o processo de implantação”, explica.
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Modelo de negócio
Goldstein conta que apenas quando operadoras, bancos, lojistas e fabricantes entrarem em um acordo é que o mobile payment – que será debatido no evento Corpbusiness Mobile Banking & Payment que acontece nos dias 23 e 24 de julho em São Paulo – poderá se tornar uma realidade no Brasil.
“As possibilidades são enormes. O cliente poderá pagar tanto compras com valores altos como aquele chiclete que ele quer, mas não tem trocado no bolso. Sem falar na facilidade de lembrar que a conta de gás vence naquele dia e poder tirar o aparelho do bolso, fazer o pagamento na hora e se livrar de pagar juros por atraso. Mas isso não deve acontecer em tão curto prazo. A estimativa é de que a tecnologia se popularize dentro de 5 e 10 anos”.
Para o consultor, assim que as partes envolvidas encontrarem uma forma de colocar a novidade em prática, terão um novo desafio: convencer o público sobre as vantagens de usar o novo sistema. “Tudo dependerá de como o produto será ofertado. Ele terá que ser fácil de usar e, de preferência, funcionar no aparelho que as pessoas já têm, porque, se elas tiverem que trocar de aparelho, haverá maior resistência e será preciso oferecer muitas vantagens para que elas decidam gastar com a compra de um novo celular“.
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Mas Goldstein acredita que, apesar das barreiras, o mobile payment terá vários adeptos. “O brasileiro é aberto à tecnologia e gosta de novidades, sem falar que quase todo mundo hoje em dia tem um celular. Para mim, a inclusão digital brasileira é feita por meio do celular”.
Diferentes modelos
Ainda de acordo com o consultor, o mobile payment pode acontecer de duas maneiras diferentes, por SMS ou chip. “E o interessante é que é a situação econômica do país que ajuda a definir qual modelo será adotado”.
Ele explica que, em países desenvolvidos, como Japão e Coréia, a opção é pelo chip. “É um chip diferenciado que é inserido no aparelho e permite que o pagamento seja feito apenas aproximando o celular na frente de um leitor, sem que seja preciso digitar senha para liberar a transação. Isso é possível porque a maior parte da população desses países é de classe A e B e tem aparelhos mais completos e modernos, que permitem esse tipo de serviço”.
Já em países em desenvolvimento, como África e Argentina, a opção é pelo pagamento via SMS. “Em países onde a maior parte da população é de classe D e E, os aparelhos são mais simples, o que não significa que não há potencial para o mobile payment se disseminar. Já é comprovado que, até como medida para reduzir os gastos com ligações, grande parte das pessoas está acostumada a trocar mensagens via SMS. Se o pagamento puder ser feito dessa forma, não há dúvida de que muita gente vai querer experimentar”, afirma o consultor.