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SÃO PAULO – A mistura de álcool à gasolina pode tornar o derivado de petróleo menos poluente, mas, em compensação, faz com que seja o que mais se espalha no solo em casos de vazamento, além de aumentar a corrosão nos tanques e tubulações dos postos de combustível.
A constatação está na pesquisa de mestrado desenvolvida pela química Renata Silva Trovão, da Poli-USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo), que analisou a contaminação do solo e da água subterrânea ao redor de cinco postos de Guarulhos, na Grande São Paulo.
Para o professor e orientador da pesquisa, José Renato Baptista Lima, o trabalho comprova a necessidade de controlar e monitorar os postos de combustível para evitar vazamentos e outras situações que possam provocar o espalhamento da gasolina. “O problema é mais grave, porque esse tipo de estabelecimento se instala justamente próximo aos núcleos urbanos, expondo as pessoas a riscos de intoxicação”, afirma.
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Recuperação do solo
A pesquisadora também elaborou duas propostas para remediar as áreas contaminadas, com base nas técnicas ex-situ e in-situ. “Na primeira, o solo é retirado do local, passa por um processo de limpeza que extrai a substância contaminante. A terra contaminada é aquecida numa máquina, o que faz com que o combustível se desprenda das partículas do solo e escorra para um local adequado. Depois, a terra é recolocada de volta no mesmo lugar. Esta é a técnica que oferece a descontaminação mais eficiente, apesar de ser o método mais caro”, afirma.
Já o segundo método é mais barato, porém mais demorado e menos eficiente. “Por esta técnica são feitos buracos no solo contaminados, nos quais são colocados tubos. Por uns se injeta ar, que faz a gasolina e os gases sair pelos outros”, explica. Nessa técnica a remoção da substância não é total, mas segundo a pesquisadora, os organismos se encarregam de consumir o restante.
Danos ambientais
Segundo a pesquisadora, houve um aumento no número de postos em todo o Brasil, na década de 1970. “Os equipamentos tanques e tubulações destes postos tinham uma vida útil de projeto de 25 anos. Assim, é natural que esses empreendimentos sejam considerados hoje potencialmente poluidores, podendo causar acidentes ambientais”, alerta.
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A contaminação também pode ser prejudicial para as pessoas, causando problemas no sistema nervoso central, além de prejudicar outros seres vivos, já que pode se acumular na cadeia alimentar. “Além disso, há o risco de incêndio e até de explosões nas áreas contaminadas”, afirma.
A pesquisadora também lembra que 20% da gasolina brasileira é composta por álcool (teor que pode variar conforme a política ambiental momentânea). “Essa adição, no entanto, aumenta a solubilidade do combustível, pois o álcool é solúvel em água e na própria gasolina”, afirma.