Mínimo é fonte de renda para maioria das mulheres e dos menos escolarizados

Pesquisa do Dieese, divulgada nesta segunda-feira, traça perfil dos trabalhadores remunerados com um salário mínimo

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SÃO PAULO – As negociações sobre o reajuste do salário mínimo têm se tornado, nas últimas semanas, assunto principal do noticiário e provocado impasse entre governo, oposição e centrais sindicais.

Quando se pensa nesse tipo de rendimento, logo vem a mente as aposentadorias e pensões. Mas, essa faixa salarial faz parte da realidade de milhões de trabalhadores, cujo perfil foi divulgado nesta segunda-feira (04) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Mulheres são maioria

De acordo com o levantamento, o percentual de mulheres remuneradas com um salário mínimo é superior ao dos homens nas cinco regiões metropolitanas pesquisadas – Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e Distrito Federal.

O destaque fica por conta dos estados nordestinos: no Recife, elas somam 19,9%, contra 13,2% dos homens, enquanto em Salvador, são 20,9% das mulheres que ganham um mínimo e 12% dos homens nessa situação.

Já São Paulo teve o menor índice: 6,5% das mulheres contra 3,4% dos homens.

Segundo o Dieese, o menor rendimento das mulheres decorre de menores jornadas de trabalho e do grande número das que trabalham como empregadas domésticas.

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Idade e Escolaridade

Embora não possa ser considerado um “salário de Jovens“, o estudo aponta que o mínimo tem importância maior entre os trabalhadores de 16 a 24 anos principalmente em Belo Horizonte, São Paulo e Distrito Federal.

Quanto ao nível de escolaridade, entre os trabalhadores que recebem um mínimo, é maior a participação dos que possuem o nível fundamental incompleto, em todas as regiões pesquisadas. Destaque para Porto Alegre, com 43,7%, e Distrito Federal, com 42,8%.

Esse resultado, no entanto, pode incluir os jovens que ingressaram no primeiro emprego, segundo a pesquisa.

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Formalidade não é sinal de melhor salário

Em algumas regiões, o estudo aponta que é relativamente alto o número daqueles que ganham um salário mínimo entre os que têm carteira assinada. Em Recife e Salvador, o índice atinge 15%; já em Belo Horizonte, são pouco mais de 9%; no Distrito Federal, 6%; e em Porto Alegre e São Paulo, 2%.

Mas a informalidade ainda predomina entre os que recebem um mínimo. Em Recife, Salvador e Belo Horizonte, eles representam 23% a 25% do total dos assalariados do setor privado. No Distrito Federal, a proporção é de 17,5% e, em Porto Alegre e São Paulo, de 11% e 13%, respectivamente.

Maior rotatividade

A pesquisa destaca, ainda, que o salário é fator determinante para a estabilidade profissional. Em São Paulo, Belo Horizonte e Distrito Federal, os que ganham um salário mínimo permanecem menos de 40 meses (três anos e 4 meses) no mesmo emprego; enquanto os que ganham mais de cinco mínimos costumam ficar em média mais de 120 meses na mesma ocupação (10 anos).