Microfinanças podem melhorar a condição de vida da população, diz BC

Presidente do Banco Central abordou o tema sustentabilidade nos bancos, no primeiro dia da Rio+20

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SÃO PAULO – Nesta quarta-feira (13) teve início a Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. Durante sua apresentação no evento, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini afirmou que as microfinanças revelaram-se um caminho capaz de melhorar a condição de vida das populações mais pobres, melhorando, inclusive, o acesso das mulheres aos serviços financeiros.

Segundo Tombini, a preocupação social e seus impactos sobre os negócios financeiros remontam às primeiras normas que tratam do microcrédito, operações associadas a empréstimos de valor muito pequeno e de estímulo ao empreendedorismo. “O Banco Central vem há tempos se dedicando ao estudo de temas que dizem respeito à relação entre o sistema financeiro e questões socioambientais”, afirma.

Sustentabilidade nos bancos
De acordo com Tombini, desde 2011 as insituições financeiras passaram a demonstrar como consideram o risco decorrente da exposição a danos socioambientais gerados por suas atividades, quando da avaliação e do cálculo de suas necessidades de capital. “Isso é especialmente válido em projetos que englobam financiamentos de atividades social e ambientalmente sensíveis, como é o caso de investimento em infraestrutura, geração de energia, extração de recursos naturais, agronegócio e indústria química”, completa.

O presidente do BC também explicou que o aprimoramento da regulação está em sintonia com a atenção requerida pela sociedade, no sentido de exigir posicionamento estratégico das instituições financeiras quanto à mitigação do risco socioambiental e estimular a identificação de oportunidades voltadas ao desenvolvimento sustentável.

Segundo ele, as operações financeiras precisam ser ao mesmo tempo viáveis do ponto de vista econômico, socialmente justas e ambientalmente corretas, conservando os recursos naturais para as presentes e futuras gerações.

Tombini também aproveitou para falar da importância da autorregulação. “No Brasil, alguns compromissos podem ser citados como marcos”, afirma. De acordo com ele, o Protocolo Verde de 2008, firmado pela União, representada pelo Ministério do Meio Ambiente, e pelos bancos oficiais e o Protocolo de Intenções firmado entre a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e o Ministério do Meio Ambiente são destaques, já que nos dois os bancos se comprometem a se esforçarem para adotar práticas social e ambientalmente responsáveis em seus negócios, especialmente nas operações de crédito.