Microcrédito é solução para bancarização, defende Afif

Secretário de Estado do Emprego e Relações do Trabalho defende que exemplo de Prêmio Nobel,Muhammad Yunus, deve ser seguido no Brasil

Publicidade

SÃO PAULO – “Temos que nos inspirar nos ensinamentos de Yunus”. A afirmação foi feita pelo secretário de Estado do Emprego e Relações do Trabalho em São Paulo, Guilherme Afif Domingos, se referindo ao bengalês Muhammad Yunus, vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 2006 pela criação do Grameen Bank, instituição que concede microcréditos a pessoas de baixa renda.

“O que esse homem fez, e ainda faz, tem que servir de espelho para todos nós. Muito tem se falado em bancarização e erradicação da pobreza, dois temas que a principio não estão diretamente relacionados, mas que possuem uma solução em comum: a concessão de crédito para quem tem pouco dinheiro”, afirmou Afif em apresentação durante o Ciab 2009. O secretário ainda completou: “Yunus defende que US$ 100 podem mudar a vida de uma pessoa, já que, com essa quantia, muita gente que não tem emprego consegue criar um ofício para si, como uma manicure, por exemplo. Assim, a pessoa passa a ter uma renda, uma conta no banco e um futuro diferente”.

À frente do Banco do Povo Paulista, do governo de São Paulo, Afif explica que a entidade está empenhada em promover no Brasil algo parecido com que Yunus realizou. “Hoje, o Banco do Povo Paulista oferece microcrédito para empreendedores com juros de 1% ao mês. É um programa autossustentável e com R$ 120 milhões em carteira para cessão de crédito”.

Inadimplência

Segundo o secretário, muitas pessoas resistem à ideia de emprestar dinheiro para o público de baixa renda, com medo de não receber de volta.

Porém, ele afirma que a realidade mostra que esse é um público que honra suas dívidas. “Para se ter uma ideia, em dez anos de operação, o banco emprestou R$ 566 milhões e registra uma taxa de inadimplência de apenas 1,2%, enquanto temos visto a inadimplência crescer significativamente, e de acordo com dados da Serasa, é a população de alta renda que está impulsionando esta elevação”, explica.

E completa: “Não é a toa que a Casas Bahia tem crescido tanto e o negócio deles é basicamente dar crédito para a baixa renda. São pessoas dignas que todo o mês pagam seus carnês. O negócio do Sr. Samuel Klein teria crescido tanto se o seu público principal não pagasse as dívidas assumidas? Eu acho que não”, exemplifica Afif.

Continua depois da publicidade

O exemplo tem sido seguido por outros bancos. Recentemente, o Banco do Brasil criou a Menor Renda, dando continuidade a um movimento iniciado com o BPB (Banco Popular do Brasil) em 2004. O objetivo é integrar as atividades do Banco Popular do Brasil com a estratégia negocial do DRS (Desenvolvimento Regional Sustentável) e a Rede de Correspondentes não Bancários do BB. Com isso, o banco espera expandir sua atuação nos segmentos de menor renda e sua participação no microcrédito produtivo.

Bancarização

Para aproximar o público não bancarizado – cuja renda e endereço são de difícil comprovação -, diversos bancos estão criando soluções.

O BPB já oferece atendimento diferenciado ao público de menor renda e microempreendedores informais. A estratégia é colocar correspondentesinstalados em pequenos comércios, possibilitando a abertura de contas-correntes simplificadas, entre outras conveniência bancária.

Continua depois da publicidade

Na Caixa Econômica Federal, uma das estratégias são as contas simplificadas – para movimentações de até R$ 1 mil por mês.