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SÃO PAULO – Quase 40% dos bancos brasileiros acreditam que existem sinais reversão da demanda por crédito no Brasil. A estimativa foi divulgada nesta terça-feira (17), pela Febraban, na Pesquisa de Projeções e Expectativas de Mercado.
De acordo com os números, as operações de crédito devem crescer 26,67% em 2008 e 23,25% em 2009, ante 33,14% no ano passado. “Podemos chamar de menor ritmo de crescimento, mas é importante frisar que, mesmo com essa desaceleração, os números do setor ainda seguem positivos”, afirmou o economista-chefe da Febraban, Nicola Tingas.
Além disso, o relatório da instituição ainda mostra que 60% dos bancos não vêem a desaceleração como um problema e não acreditam na reversão da demanda.
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Menor ritmo
Para Tingas, entre as razões que podem justificar o crescimento das operações de crédito em menor ritmo, estão o aumento dos juros e a inflação – crescendo na margem -, que comprometem a renda da pessoa física. “Além disso, não dá para saber ao certo como está o comprometimento da renda familiar com crédito. Como os últimos anos foram de crescimento, as pessoas podem estar já comprometidas com prestações”, analisou.
Na comparação com outros países, onde o crédito chega a representar mais de 60%, 70% do PIB, o Brasil ainda tem um bom espaço para crescer.
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De acordo com Tingas, em relação ao crédito pessoal, o Brasil já se aproxima dos níveis internacionais. “A demanda, portanto, está se dirigindo às carteiras de crédito imobiliário e de bens de consumo, onde há muito espaço para crescimento”, disse. Segundo ele, as instituições estão facilitando a tomada de crédito nestes casos, com taxas mais acessíveis e prazos alongados.
Inadimplência
Segundo o documento da Febraban, 58% das instituições avaliam que não existe previsão de aumento da inadimplência para este ano. De acordo com Tingas, a inadimplência não preocupa no curto prazo, pois as linhas de crédito estão condizentes com o tipo de risco.
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“Principalmente depois da crise do subprime nos Estados Unidos, a gestão de risco nos bancos brasileiros está bastante severa, com os bancos mais atentos ao perfil do tomador de crédito”, explicou.
Com relação ao tomador de crédito, Tingas acredita em uma melhora no planejamento financeiro. “As pessoas estão planejando mais o longo prazo, atentas ao fluxo de caixa pessoal”, disse.
Apesar disso, o economista frisa que ainda são necessários cuidados especiais com relação ao crédito escolhido. “Vale sempre lembrar para tomar cuidado com as altas taxas de juros cobradas em algumas modalidades, como cheque especial e cartão de crédito, por exemplo”, aconselha Tingas. Atenção a esses “detalhes” são saudáveis ao setor e ao próprio bolso do tomador.