Medo de perder emprego aumenta e brasileiro tende a reduzir gastos e consumo

Segundo Fecomercio, quando se espera uma situação futura pior, os gastos atuais passam a ser efetuados com cautela

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SÃO PAULO – O medo de perder o emprego em função da crise subiu de 38% para 43%, na comparação entre dois levantamentos realizados pela Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) sobre a percepção dos paulistanos em relação à crise mundial.

Na visão da entidade, o dado sobre o temor de desemprego pode ser alarmante para a economia real. “Quando se espera uma situação futura pior, os gastos atuais passam a ser efetuados com cautela e com tendência de haver uma redução de consumo para o aumento de uma poupança, uma segurança para as famílias, caso haja uma perda futura de emprego e prejudicando o orçamento familiar”, revela a federação.

Outros temores

Além do desemprego, inflação, perda do poder de compra, falta de crédito e endividamento estão entre os medos dos brasileiros, mas a intensidade da preocupação muda, de acordo com a faixa etária e a renda familiar, como mostra a tabela abaixo:

Idade Renda
De 18 a 34 anos Mais de 35 anos Até 3 mínimos De 3 a 10 mínimos Mais de 10 mínimos
Desemprego 45% 41% 48% 46% 26%
Inflação 29% 33% 32% 32% 28%
Perda do poder de compra 9% 10% 4% 9% 20%
Falta de crédito 8% 7% 5% 5% 18%
Endividamento 9% 7% 9% 7% 7%

Na análise da tabela, nota-se que a inflação continua sendo o maior medo dos paulistanos com mais de 10 salários mínimos. No entanto, segundo a Fecomercio, o destaque para esta faixa de renda é que aumentou o medo da perda de poder de compra. “Na primeira pesquisa foram 12%, que subiram para 20% na segunda coleta”, destaca o documento de divulgação do levantamento. “Outro dado relevante é o temor em relação ao crédito, que se elevou 9 pontos percentuais, chegando a 18%”, completa.

Na análise por faixa etária, 45% dos entrevistados entre 18 e 34 anos temem perder o emprego. Isso se dá, segundo a entidade, em razão de que, neste período, eles estão construindo seus patrimônios, estão no processo de financiar imóveis, automóveis, eletrodomésticos, cursos e outros custos que os tornam vulneráveis às alterações no cenário econômico que possam impactar negativamente seus orçamentos.