Médio prazo: falta de chuva poderá aumentar valor da conta de luz

Segundo associações do setor de energia, uso de geração termelética pode estimular alta de preço no reajuste de tarifas

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SÃO PAULO – A falta de chuvas poderá aumentar o valor da conta de luz dos consumidores residenciais brasileiros. Isso porque o nível de água nos reservatórios das hidrelétricas brasileiras está baixo e, se assim continuar, haverá necessidade de geração de energia por termelétricas, que é a mais cara.

“Poderá haver aumento da conta, mas numa proporção pequena e com efeito posterior”, disse o diretor-presidente da Anace (Associação Nacional dos Consumidores de Energia), Paulo Mayon.

Motivos para o aumento

Conforme disse, se as distribuidoras de energia precisarem recorrer para a compra à vista, porque o consumo residencial foi maior do que o comprado por leilões, esse valor será repassado para os brasileiros que mantêm contrato com ela. Se essa compra feita à vista, chamada de spot, estiver relacionada à geração por termelétricas, o valor sobe ainda mais.

“Porque a termelética usa óleo e gás e a água é de graça, então a geração da termelétrica é mais cara que a da hidrelétrica. Se falta chuva, começa a despachar a termelétrica e o preço sobe. Mas só vai subir no reajuste tarifário da empresa”, afirmou Mayon.

Cativo está protegido

Para o presidente da Abrage (Associação Brasileira de Empresas Geradoras de Energia Elétrica), Flávio Neiva, quem compra direto das distribuidoras está protegido, porque o preço pago é o do contrato, que só muda com o reajuste tarifário. “Se o consumidor sofrer com a falta de chuva, será no médio prazo”, disse.

Além disso, a previsão de aumento ainda não é certa porque, segundo Neiva, deve-se levar em consideração a possibiidade de chover bastante e rápido.

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Previsão é prematura

A diretor-executiva da ABCE (Associação Brasileira das Concessionárias de Energia Elétrica), Silvia Calou, falou que a previsão de aumento ainda é prematura. Estamos em situação de alerta, mas entrando em um período úmido. “Ainda temos dois ou três meses para reverter a situação”.

Ela ainda disse que os leilões de energia mais barata já aconteceram e que os mais caros, de termelétrica, estão por vir. Por isso, somente a distribuidora que comprar do segundo tipo de energia é que repassará os valores mais altos ao consumidor.

Outro fator que poderá elevar o preço da energia elétrica, para Silvia, são os investimentos que estão sendo feitos pelo governo em transmissão de energia elétrica. “Hoje é possível enviar blocos de energia maiores entre as regiões, por exemplo”.