Lula quer que juros aos clientes de bancos públicos sejam revistos

Preocupação é com alta das taxas com a crise; para consumidor, juros chegaram à média de 7,61% a.m. em novembro

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SÃO PAULO – A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou, nesta quinta-feira (11), que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer uma revisão dos juros cobrados pelos bancos públicos Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.

O presidente se mostra preocupado com os juros na ponta, aqueles praticados ao consumidor, que ficaram mais caros por causa da crise financeira internacional, que restringiu o crédito. Para se ter uma idéia, dados da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) divulgados nesta quinta mostraram que os juros ao consumidor de novembro foram de 7,61% ao mês em média, maior taxa desde novembro de 2005.

De acordo com a ministra, o objetivo do governo é reduzir os juros que estão sendo cobrados e ampliar o crédito no Brasil.

Bancos que reduziram

Diante da perda de clientes, por conta de um crédito mais caro, muitas instituições já decidiram por diminuir os juros. Na CEF, foram duas taxas para pessoas físicas e duas para as empresas.

Segundo a assessoria de imprensa da instituição, o CDC (Crédito Direto Caixa) terá prazo máximo para pagamento de 36 meses, um ano a mais do que o atual. Quanto às taxas, para o maior prazo, elas serão de 3,50%, contra os 4,53% praticados atualmente.

O Banco do Brasil também anunciou diminuição de juros em diversas linhas de crédito, no último dia 26 de novembro. Os cartões Ourocard, por exemplo, terão suas taxas no rotativo partindo de 3,79% ao mês, e não mais de 4,23% a.m, como era praticado. Nas compras parceladas, a taxa de juro mínima caiu de 4,99% a.m. para 2,92% a.m. Lembrando que estas taxas variam de acordo com o nível de relacionamento do cliente com o banco.

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Desabafo do presidente

No começo do mês, Lula declarou que, apesar do Banco Central ter disponibilizado aos bancos cerca de R$ 100 bilhões, por meio do compulsório (dinheiro que os bancos são obrigados a recolher ao BC), esse montante não tem chegado a quem precisa.

“Liberamos R$ 100 bilhões do compulsório, mas acontece que esse dinheiro chega ao banco, como tem pouco dinheiro no sistema financeiro, esse dinheiro fica mais caro, porque os bancos estão escolhendo cliente seis, sete, oito estrelas. Mesmo empresas grandes, às vezes, têm dificuldade de pegar o dinheiro. Isso está nos levando a uma situação mais temerária. Estão obrigando o governo a agir com maior rigor. Em época de crise, a gente não se acovarda”, disse, conforme publicado pela Agência Brasil.