Lula: para Brasil crescer, é preciso colocar “prata” na mão dos pequenos

Presidente defende oferta de crédito para baixa renda que, segundo ele, é melhor pagadora, porque tem no nome o patrimônio

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SÃO PAULO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta quarta-feira (17), que, para o Brasil crescer, é preciso que se “coloque prata na mão dos pequenos”, em referência à importância de dar acesso ao crédito para a população de baixa renda.

Lula falou durante o II Fórum Banco Central sobre Inclusão Financeira, que aconteceu em Brasília e contou com a participação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

De acordo com ele, embora o governo não queira proibir que as pessoas acumulem muito dinheiro, ele quer dar a oportunidade a todos de terem um pouco. “Pouco dinheiro na mão de muitos significa distribuição de renda e muito dinheiro na mão de poucos é concentração de riqueza”.

Bons pagadores
Além disso, Lula afirmou que os melhores pagadores são as pessoas de baixa renda, enquanto a alta renda algumas vezes não faz bom uso do crédito.

“Os melhores pagadores são os mais pobres, pessoas de menor renda, porque têm uma coisa sagrada para essa pessoa: como ela não tem acesso a muita coisa, o patrimônio mais rico dela é a cara dela e o nome dela. Ela tem vergonha de dever o pãozinho na padaria”, afirmou o presidente.

Ele disse ainda que se veem no jornal pessoas que têm acesso a milhões por meio de empréstimos, que não geram emprego, quebram e “a gente tem de correr atrás do prejuízo”.

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Futuro
Lula afirmou que o Brasil está acabando com o tempo em que só pegava dinheiro emprestado em banco quem não precisava de crédito, ou a alta renda, porque as exigências eram muitas.

“Houve um tempo em que a moda era não emprestar”, afirmou ele, que completou: “Isso mudou e eu acho que vocês têm muita responsabilidade, acho que temos que avançar mais ainda, pegar os estados mais atrasados e criar mais condições, compreendendo que o pobre que tiver acesso a R$ 50 não vai comprar dólar, carro, ele vai comprar comida”.

O presidente ressaltou que, em janeiro, haverá um novo presidente e gente nova no governo e que é importante discutir o fortalecimento da inclusão bancária.

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Entre os desafios para o novo governo, ele citou ampliar a educação financeira da população de baixa renda e a formalização de micro e pequenos empreendedores e desenvolver produtos e serviços mais adequados a estes públicos.