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SÃO PAULO – “Logo, logo” o Brasil será independente na produção de gás. A afirmação foi feita na manhã desta segunda-feira (12) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu programa Café com o Presidente. Na oportunidade foi comentada toda a polêmica envolvendo o baixo volume do produto em oferta no País e os problemas de abastecimento no Rio de Janeiro e em São Paulo, ocorridos na última semana de outubro.
“O Brasil hoje depende do gás da Bolívia, a Argentina depende do gás da Bolívia, o Chile depende do gás da Bolívia e nós precisamos fazer investimento na Bolívia para que possamos produzir mais”, explicou, sobre a decisão da petrolífera em continuar as aplicações no país vizinho. “Além disso, a Petrobras está investindo muito aqui dentro”, completou.
Prioridade das termelétricas
Lula voltou a afirmar que, em caso de escassez do combustível, a prioridade do governo será atender às termelétricas. E uma das saídas para evitar riscos de desabastecimento de energia gerada pelo gás seria transformar as usinas em bicombustíveis, para utilizar outras fontes em sua operação.
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O professor do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília, Ivan Camargo, afirmou que investir em diesel para o funcionamento das termelétricas só seria justificável em situações extremas, o que, segundo ele, não é o caso atual. Para o pesquisador, o Brasil vive uma situação energética “muito mais confortável” do que a de 2001, época do “apagão”, quando houve racionamento de energia.
“Diversificar a matriz energética com o gás natural foi uma escolha inteligente. Substitui-lo agora por diesel é a pior opção possível. Só seria razoável num situação de total falta de energia, de total emergência”, acrescentou à Agência Brasil.
O pesquisador Luis Bambace, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), considerou a solução “cara e extremamente poluente”. E lembrou que a troca não poderia ser aplicada imediatamente, por causa da necessidade de mudanças estruturais nas usinas.
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Realinhamento de preço
O gás natural vendido no Brasil está mais barato do que a média mundial e deve, portanto, ter seu preço realinhado. A afirmação, feita por David Zylbersztajn, ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo, veio poucos dias depois de a Petrobras confirmar que nos próximos dois anos aumentará de 15% a 25% a tarifa cobrada pelo combustível.
“Quanto à questão da Bolívia, o Brasil não tem alternativa: terá mesmo de investir no país se quiser manter o fluxo dos 30 milhões de metros cúbicos por dia contratados até 2019”, enfatizou. De qualquer maneira, o especialista considera que a estatal não deve aumentar o volume importado do país vizinho. “Se ele conseguir manter o volume contratado já estará fazendo um bom negócio”, afirmou.
Conforme Zylbersztajn, o preço do gás é acordado por contrato porque o produto ainda não é considerado uma commodity. “A tendência é que a partir do momento em que o Brasil comece a receber a preço spot [de mercado], fique próximo a uma cesta de combustíveis definida no mercado externo”, preconizou à Agência Brasil.