Leasing: procura dobra em um ano, impulsionada por veículos

Segundo dados do BC, volume de operações atingiu R$ 76,7 bilhões em março. No confronto com fevereiro, avanço foi de 7,1%

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SÃO PAULO – O aumento na procura por leasing, arrendamento mercantil com opção de compra, fez que o volume de operações deste tipo dobrasse em um ano, impulsionado principalmente pela aquisição de veículos. De acordo com a Nota de Política Monetária do Banco Central, o saldo total da carteira atingiu R$ 76,7 bilhões em março de 2008, registrando crescimento de 100,5% na comparação com o mesmo período do ano passado. No confronto mensal, a alta foi de 7,1%.

Ainda segundo os técnicos do BC, o desempenho mensal refletiu os avanços respectivos de 7,4% e de 6,8% no arrendamento destinado às pessoas físicas e às empresas.

Compra de veículos

Considerando apenas as modalidades para compra de carros, o leasing vem apresentando expansão contínua e maior até do que a do segmento de um modo geral, conforme divulgou a Anef (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras) em seu balanço anual.

Somente entre 2004 e 2007, enquanto o volume de financiamentos CDC (crédito direto ao consumidor) cresceu 114,17%, passando de R$ 38,1 bilhões para R$ 81,6 bilhões, as operações de arrendamento aumentaram mais de 500%, de R$ 4,3 bilhões para R$ 29,1 bilhões. Confira a participação das diferentes formas de pagamento, nos últimos sete anos:

































Operação 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007
À vista 32% 32% 38% 34% 33% 32% 28%
Leasing 3% 3% 5% 10% 15% 18% 30%
Financiamento 51% 53% 44% 47% 45% 45% 38%
Consórcio 14% 12% 13% 9% 7% 5% 4%

Fonte: Anef

Para este ano, segundo o presidente da Abel (Associação Brasileira das Empresas de Leasing), Rafael Cardoso, as expectativas também são animadoras. “O setor deve registrar uma expansão de 25% a 30%”, afirmou também em balanço anual do setor. E, mais uma vez, a compra de carros aparece como fator de crescimento. “Além da consolidação do produto na aquisição de veículos – a principal utilização no Brasil, com 86,61% dos bens arrendados no País – o segmento de leasing deve dar prosseguimento à tendência verificada nos últimos anos de ampliação”, disse.

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IOF x compulsório

Com os reajustes do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), anunciados no início de janeiro, o leasing tornou-se uma forma mais atrativa de financiar bens, já que, por não ser categorizado como uma modalidade de crédito, não possui incidência do tributo.

Por outro lado, decisão divulgada pelo BC no início de fevereiro, que cria o depósito compulsório* em operações do tipo feitas entre instituições financeiras deve tirar R$ 40 bilhões de movimentação por ano. Até 9 de maio, a alíquota sobre o saldo será zero, atingindo 5% a partir de então. Depois disso, haverá um aumento progressivo, para 10% (11 de julho de 2008), 15% (12 de setembro de 2008), 20% (14 de novembro de 2008) e 25% (16 de janeiro de 2009).

O impacto que essa medida terá na operação ainda não é claro. O presidente da Anef, Luiz Montenegro, lembrou na ocasião que o dinheiro captado pelos bancos das empresas de leasing não são utilizados somente para leasing, mas também para liberação de diversos tipos de crédito. O arrendamento mercantil, portanto, não seria atingido.

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Já para a companhia de análise de risco Austin Rating, haverá repasse ao consumidor, em forma de juros maiores.

* obriga os bancos comerciais e outras instituições financeiras a depositarem, no Banco Central, parte de suas captações em depósitos à vista ou outros títulos contábeis