Leasing: entenda como funciona esse tipo de financiamento

O leasing é, em grande parte, utilizado para compra de veículos zero-quilômetro. Saiba mais sobre o sistema

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SÃO PAULO – “Adquirir um bem por meio de leasing pode trazer surpresas no decorrer do negócio”. A afirmação é da Fundação Procon de São Paulo, que realizou um documento de orientação aos consumidores que desejam fazer uma contratação.

A legislação prevê que esse tipo de financiamento é um arrendamento mercantil. Em outras palavras, a pessoa paga por determinado produto e, passado um prazo, decide se pretende comprá-lo definitivamente. No entanto, de acordo com a fundação, essa “opção de compra” não existe, já que, ao aderir ao sistema, o consumidor já está optando por comprar o bem.

Vantagens

O leasing é, em grande parte, utilizado para compra de veículos zero-quilômetro. As vantagens do sistema, afirmou o Procon, são menores taxas de juros e isenção do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

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No entanto, a atenção especial deve ficar para o contrato. Segundo a entidade, algumas cláusulas são de difícil entendimento e, portanto, a análise do documento e o esclarecimento de todas as dúvidas são pontos cruciais na hora de aderir ao sistema. E o consumidor deve sempre exigir uma cópia do documento para si.

Valor Residual Garantido

No ato da contratação é decidida a “entrada” que é, segundo o órgão, uma parte do valor correspondente à opção de compra do bem. O restante, portanto, é o “Valor Residual Garantido” (VRG).

Nas parcelas, além do aluguel, é embutida uma parte desse dinheiro que não foi pago. O detalhe fia por conta do fato de que, para caracterizar um contrato de arrendamento mercantil, a operadora teria de oferecer todas as opções de pagamento (ou não) do VRG ao cliente – no início, no final ou diluído com as parcelas do aluguel.

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Vela lembrar que a pessoa deve, também, analisar se o VRG estará totalmente incluso nas prestações ou se, findo o plano, terá de ser pago algum resíduo.

Pesquisa

E já que não existe um teto para o VRG, que em algumas seguradoras chega até a 90% do valor do bem, antes de aderir ao sistema, pesquise.

Veja quais produtos no mercado se tornam menos onerosos, levando em consideração o total a ser pago (VRG + aluguéis mensais) com outras formas de financiamento.

Contratos pós-fixados

Outro detalhe que se não for analisado pode pesar no bolso são os contratos pós-fixados de acordo com a variação cambial.

Segundo a entidade, esse é “um tiro no escuro”, uma vez que não é possível prever uma possível ou não estabilidade da moeda.

Como exemplo, foi citado um caso ocorrido em 1999, quando apenas a unidade de São Paulo do Procon recebeu 6.905 consultas e 254 reclamações sobre leasing. O motivo eram os reajustes de pagamento: os contratos eram atrelados ao câmbio, e o real sofreu grande desvalorização em relação ao dólar.

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O bem é da operadora

Por fim, o consumidor nunca pode se esquecer que, durante a vigência do contrato, o veículo, casa, ou qualquer que seja o bem, é de propriedade da operadora.

Em caso de inadimplência, as empresas podem cobrar multa de 2% por atraso de pagamento, juros de mora de 1% ao mês, além de comissão de permanência de acordo com as taxas de mercado.

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Cancelamento

Quem for cancelar um contrato de leasing, seja por inadimplência ou por opção, deve negociar a devolução de parte do VRG pago.