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Quem entra em um consórcio e quer antecipar a contemplação costuma recorrer aos lances. A partir daí, surge uma dúvida: vale usar dinheiro próprio ou aproveitar parte da própria carta de crédito para tentar melhorar a oferta?
As duas estratégias são possíveis, mas funcionam de maneiras diferentes. A escolha exige atenção às regras do grupo e, principalmente, ao impacto financeiro da oferta para o consorciado, segundo especialistas ouvidos pelo InfoMoney.
O que realmente define quem será contemplado
No lance livre, o valor da oferta pesa mais. Carlos Fuzinelli, CEO e cofundador da FVL Consórcios, resume essa dinâmica: quem tem mais capital disponível consegue fazer uma proposta mais agressiva para tentar antecipar a contemplação, embora isso possa exigir um desembolso alto em grupos muito disputados.
Já no lance fixo, o percentual é conhecido, mas a disputa pode terminar em desempate. O valor da oferta já vem definido pelo regulamento. Se vários participantes fizerem o mesmo lance e houver menos contemplações disponíveis, vale o critério de desempate previsto para o grupo.
O lance embutido pode reforçar a oferta utilizando a própria carta de crédito. Quando as regras permitem, você pode somar o crédito com recursos próprios. Juciel Oliveira, fundador e CEO da Monteo, dá um exemplo prático: se os lances contemplados estiverem próximos de 60% e o grupo aceitar até 30% de lance embutido, basta usar esses 30% da carta e completar os demais 30% com dinheiro do bolso.
Mas procurar apenas qual opção “contempla mais” leva a uma comparação incompleta. Para Oliveira, a escolha inteligente precisa considerar a sua estratégia financeira individual: “quanto o consorciado pode aportar de recursos próprios, de quanto crédito efetivamente precisa e qual será o custo total dessa estrutura”.
Quando o lance embutido pode valer a pena?
Para quem prefere preservar a reserva financeira, o lance embutido reduz o desembolso. Carlos Fuzinelli explica que, em algumas administradoras, determinadas opções de lance fixo permitem usar apenas o percentual embutido previsto para a carta, sem qualquer necessidade de complementar a oferta com recursos próprios.
Esse caminho, porém, mexe no seu poder de compra. “É preciso considerar que a parcela utilizada como lance será descontada do crédito disponível”, alerta Juciel Oliveira. Assim, quem precisa de um valor exato para comprar o bem deve calcular quanto restará da carta após o lance. Dependendo do percentual utilizado, Oliveira afirma que pode ser necessário contratar uma carta maior desde o início para preservar o crédito líquido necessário à aquisição.
Se o objetivo for acelerar o processo, Fuzinelli acrescenta que o lance livre tende a oferecer mais espaço para uma proposta competitiva, ideal para quem tem uma reserva maior e busca a contemplação rápida. Já quem não quer se descapitalizar encontra no embutido a alternativa perfeita, desde que o saldo restante da carta ainda atenda ao objetivo da compra.
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É importante olhar para o histórico do grupo
O primeiro passo é olhar para as assembleias recentes. Elas ajudam a mostrar em que faixa os lances vêm sendo contemplados e qual é o nível de concorrência do grupo.
Fuzinelli afirma que esse histórico permite identificar uma média dos percentuais vencedores. Mas a referência não é garantia: de um mês para outro, os valores podem fugir do padrão observado anteriormente.
Oliveira sugere analisar, por exemplo, os últimos seis meses, e alerta que olhar apenas o percentual contemplado não basta. Ele recomenda observar principalmente quatro informações:
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- Qual percentual vem sendo contemplado? Mostra a faixa em que os lances têm sido competitivos.
- Quantas pessoas estão ofertando nessa faixa? Ajuda a dimensionar a concorrência.
- Quantas contemplações estão disponíveis? Indica quantos participantes podem ser atendidos naquela assembleia.
- Como funciona o desempate? É especialmente relevante no lance fixo, em que vários consorciados podem apresentar a mesma oferta.
Fuzinelli acrescenta que também vale acompanhar quantas contemplações vêm ocorrendo por lance livre e fixo. Se os percentuais estiverem muito acima do que o consorciado consegue ofertar, uma alternativa pode ser esperar novas assembleias antes de entrar na disputa.