Juros elevados e desemprego prejudicaram vendas a prazo em maio

Medo de perder o emprego e custo do financiamento elevado afugentaram consumidores no mês de maio

Publicidade

SÃO PAULO – A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) divulgou há pouco os dados relativos ao movimento de consultas as vendas a vista e a prazo no mês de maio. Segundo a ACSP, enquanto as vendas a prazo registraram recuo no mês de maio, as vendas a vista apresentaram aumento frente ao mesmo período do ano passado.

Segundo a Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), em maio as vendas a prazo registraram recuo de 3,8% ante o mesmo período do ano passado. Já na comparação com o mês de abril, as vendas cresceram cerca de 12,7%. Já as vendas a vista apresentaram aumento de 6,1% frente a maio de 2001 e 7,1% na comparação com abril desse ano. Esses dados foram obtidos através das consultas ao UseCheque, responsável pela mensuração das vendas a vista.

Resultado pode ser considerado positivo

Para o presidente da ACSP, Alencar Burti, apesar da queda nas vendas através de crediário, o resultado pode ser considerado positivo, visto que o mês de maio do ano passado teve um dia útil a menos. Na opinião de Burti, deve se levar em conta também que o varejo não vem apresentado um desempenho satisfatório nos últimos meses.

No mês de maio, a melhora no setor foi possível graças à queda na temperatura, embora ela tenha ocorrido mais tarde do que o previsto, e às datas comemorativas. O frio deve impulsionar as vendas de roupas e calçados da coleção outono-inverno. Também contribuiu com o aumento nas vendas o fim do racionamento e a comemoração do Dia das Mães. Outro fator importante é a Copa do Mundo em junho, que também ajudou nas vendas de TVs e vídeo cassetes.

Juros elevados prejudicam vendas no crediário

A elevada taxa de juro e o desemprego continuam afastando muitos consumidores das compras a prazo. Muitos optaram por comprar à vista, deixando a compra de bens de maior valor agregado para outra hora. Enquanto a taxa de juros não for reduzida, os lojistas não acreditam que essa situação será revertida.

Continua depois da publicidade

Inadimplência preocupa

No índice que mede a inadimplência, o número de carnês em atraso aumentou 14,7% em maio frente ao mesmo período do ano passado, no entanto em relação ao mês de abril houve queda de 4,2%. Já o número de pedidos cancelados subiu 19,3% frente ao mesmo período do ano passado e 0,9% em relação a abril. O nível de inadimplência continua muito elevado, e já começa a preocupar a ACSP.

As elevadas taxas de inadimplência se devem à perda de poder aquisitivo da população, aliada ao aumento do desemprego. Para o presidente da ACSP, se as taxas de juros não forem reduzidas em breve, o ritmo de atividade econômica continuará muito lento, prejudicando as varejistas. Ele ressalta que o governo precisa adotar uma posição mais firme em relação ao cenário econômico do país, antes que a situação das empresas acabe caminhando para o descontrole.