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SÃO PAULO – Ao longo de quase um ano, o Banco Central do Brasil elevou a taxa básica de juros quase todos os meses, alegando que precisava inibir o consumo doméstico para frear a tão temida inflação. Neste mesmo período, apesar do aperto monetário, os consumidores não deixaram de verificar os preços subindo pouco a pouco nas prateleiras das lojas e nas gôndolas dos supermercados.
Entre janeiro e maio deste ano, os juros referenciais da economia brasileira subiram todos os meses, atingindo 19,75% ao ano em maio. Ao longo destes meses, porém, a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) ficou em 3,18%, nível superior aos 2,75% verificados na mesma época de 2004, quando a taxa de juros estava em 16% ao ano.
Segundo relatório do Banco Central divulgado nesta quinta-feira (30), a escalada de preços observada no começo de ano, a despeito dos mecanismos monetários para combatê-la, se deve às influências sazonais que encareceram alguns itens específicos, como vestuário e remédios, que tiveram reajuste generalizado no período, além de leite e derivados. Para se ter uma idéia, o conjunto destes produtos respondeu por quase 25% da inflação acumulada de março a maio, que ficou em 1,98%.
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Expectativa de queda
O mesmo relatório do Banco Central indica também que o pior já passou, e que agora a tendência é de desaquecimento da evolução dos preços. Como prova do início desta trajetória descendente, o estudo mostra que o IPCA de março tinha chegado a 0,61% e o de abril a 0,87%, enquanto em maio não passou de 0,49%.
Passada a pressão inflacionária do começo de ano, e com os efeitos dos juros altos começando a afetar mais incisivamente a economia nacional, os próximos meses devem protagonizar retração ainda mais sensível nos índices. Até mesmo os remédios podem ter preços reduzidos, graças à desoneração tributária recentemente instituída pelo Governo.
Outro elemento que cada vez mais barateia alguns itens da cesta de compras dos consumidores é a apreciação cambial, com o real se mostrando cada vez mais valorizado diante do dólar. O fenômeno que compromete as exportações do País, também deixa as importações menos onerosas, reduzindo custos de produção com insumos estrangeiros e arrefecendo o ritmo da inflação.
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A combinação destes fatores fará com que o IPCA, que alcançou 3,18% de janeiro a maio, não passe de 5,8% no acumulado de todo este ano, segundo previsões do Banco Central. Isso significa que nos próximos sete meses o índice aumentará apenas 2,62%, variação menor que a verificada até agora.
Preços administrados devem subir
Embora a previsão seja de desaquecimento do ciclo inflacionário de agora até o final do ano, este fenômeno deve se restringir aos chamados preços livres, aqueles praticados por agentes do mercado e que estão sujeitos à concorrência. Por outro lado, os preços administrados, cujas variações se baseiam em cláusulas contratuais, apresentarão altas mais consistentes nos próximos meses.
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É o caso da tarifa de energia elétrica, que ficará mais cara em algumas regiões do Brasil, principalmente no Estado de São Paulo. O mesmo vale para as contas de telefonia fixa, que sofrerão aumento nos próximos meses em todo o País, sobretudo em julho.
Durante os cinco primeiros meses do ano, o conjunto destes itens administrados registrou inflação de 3,38%, ou 31% do IPCA total do período. Até o final do ano, a projeção do Banco Central é de que a alta atinja 7,60%, variação maior que a expectativa da inflação geral do ano (5,8%).