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(SÃO PAULO) – As arquibancadas do estádio estão lotadas, o público de 500 pessoas está iluminado por vermelho fogo e azul gelo. A Gamescom, realizada anualmente em Colônia, na Alemanha, é a maior feira de videogame da Europa. Essa partida de “Counter-Strike: Global Offensive”, um famoso jogo de tiro em primeira pessoa, é sua grande atração.
Quase não dá para escutar o sistema de áudio que transmite comentários a cada jogada por causa do barulho dos tiros e das explosões de granada na tela. Uma jogada bem-sucedida provoca arquejos e gritos. Unhas são roídas, a ação é assistida através dos dedos.
No entanto, há rumores de que os “eSports” (esportes eletrônicos) tenham um lado mais obscuro: jogadores admitiram ter usado drogas para aprimorar o desempenho e, agora, surgiram alegações de apostas não regulamentadas feitas por menores.
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Os eSports profissionais estão crescendo exponencialmente. Avaliados em US$ 612 milhões por ano, de acordo com a fornecedora de pesquisas Superdata, eles estão cheios de jogadores dedicados e de fãs obcecados. Twitch, uma plataforma on-line que transmite partidas ao vivo, diz aos anunciantes que tem 100 milhões de visitantes por mês, que assistem em média 106 minutos por dia.
Mas em julho, Kory Friesen, um jogador de “Counter-Strike” conhecido como “Semphis”, disse a um entrevistador que ele e seus colegas de equipe tinham “tomado Adderall”, um estimulante que costuma ser usado para tratar Transtornos de Déficit de Atenção, durante uma competição na Polônia. Ele depois disse ao New York Times que isso não necessariamente garantiu a vitória de sua equipe: “Não é que você toma Adderall e instantaneamente se torna melhor”, disse Friesen. Ele não respondeu a um pedido de comentário feito pela Bloomberg.
Drogas e apostas
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Enquanto os organizadores de eSports estão começando a lidar com o uso de drogas, as apostas representam um novo conjunto de desafios. As apostas em competições estão aumentando rapidamente em sites tradicionais; a casa William Hill do Reino Unido recebeu 14.000 apostas de jogos até agora neste ano, disse o porta-voz Joe Crilly, de cerca de 250.000 libras (US$ 395.000) no total. É provável que no ano que vem o valor das apostas seja quatro vezes maior, disse ele.
Esse tipo de apostas – licenciadas, regulamentadas e feitas por adultos – é geralmente aceito nos eSports. Contudo, cresce a preocupação de que adolescentes estejam sendo atraídos pelas diversas formas de apostar oferecidas por provedores terceirizados.
Sem controle
Uma dessas plataformas é a CSGO Lounge (um site independente não afiliado à Valve Software, que desenvolve o jogo em si). O site possibilita que durante o jogo os espectadores apostem complementos, conhecidos como skins — armas, ferramentas e coisas do gênero –, nos resultados das partidas. Nem todas as skins são criadas do mesmo modo e o fato de algumas serem tão raras significa que elas podem chegar a valer centenas de dólares reais em sites de mercados como SkinXchange.com. A tentação é grande demais para alguns.
“As apostas feitas por menores são um grande problema”, disse o desenvolvedor chefe da SkinXchange, Justin Carlson, em um e-mail, acrescentando que ele precisa ligar para “inúmeros” pais cujos filhos utilizaram cartões de crédito sem o consentimento deles. Eles usam os cartões para comprar skins e apostam nos jogos em outros sites. Muitos “juntaram centenas ou milhares de dólares em skins no SkinXchange e depois perderam tudo em algum site de apostas ou jackpot”, disse Carlson.
O CSGO Lounge diz em seu site que fazer uma aposta representa uma confirmação de que você está “cumprindo as leis de seu país” relativas a apostas, inclusive a idade mínima. O EGB.com, um site da Costa Rica que também possibilita que os usuários apostem em eSports usando dinheiro real, pede que os usuários marquem uma caixa de seleção para confirmar que têm idade legal. Nenhum dos dois sites respondeu a diversos pedidos de comentário para esta reportagem.
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“É uma zona cinzenta”, disse Thomas “Morte” Kerbush, jogador profissional de “Battlefield 4”, outro famoso jogo de tiro em primeira pessoa. Seu colega de equipe Erik “2-Easy” Van Hoorn foi mais explícito: “Menores de idade estão fazendo apostas e não existe forma de controlar isso”.
Por Kamali Melbourne e Matthew Campbell