Ipea: gasto com educação é o primeiro em retorno ao PIB

Pesquisa do órgão aponta que gastos sociais são os que garantem maior retorno de recursos para o País

SÃO PAULO – Os gastos do poder público com educação e saúde são os que geram mais crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), aponta um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgado nesta quinta (3). Segundo o instituto, cada R$ 1 gasto com educação gera R$ 1,85 de retorno ao PIB. Na saúde, para cada R$ 1 investido, o retorno é de R$ 1,70. Fazem parte da pesquisa os gastos de União, estados e municípios.

Segundo o estudo, os gastos sociais – com saúde, educação, programas sociais e previdência – têm melhor desempenho porque se desdobram em outras formas de renda, gerando consumo no mercado interno e contribuindo diretamente para a redução das desigualdades. Dentro desses valores, destaque para o Programa Bolsa Família, onde cada R$ 1 incluído eleva a renda das famílias em 2,25%.

Os gastos com investimentos e exportações geram retorno de R$ 1,57 para cada R$ 1 injetado e construção civil R$ 1,54 para R$ 1 gasto. Já o gasto com juros sobre a dívida pública gera apenas R$ 0,71 para cada R$ 1 aplicado. Os cálculos têm como base os agregados do Sistema de Contas Nacionais de 2006 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Redução da pobreza
O estudo também apresenta os efeitos de diferentes gastos no chamado índice de Gini – medida para calcular a desigualdade de distribuição de renda, que varia de zero a um, sendo zero completa igualdade de renda e um completa desigualdade. Segundo o Ipea, para cada 1% do PIB gasto com saúde, o índice é diminuído em 1,5% e cada 1% com educação diminui o Gini em 1,1%. O Bolsa Família reduz o indicador em 2,15% para cada 1% gasto do PIB.

O estudo ainda sugere continuidade das ações sociais. “A melhora recente da desigualdade entre 2003 e 2008 medida pelo Gini ocorreu com velocidade de -1,3% ao ano. Alguns gastos sociais mais progressivos, se expandidos, ainda podem contribuir para a desconcentração de renda no Brasil”, explica o estudo.