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SÃO PAULO – Desde 1970, o Brasil tem interrompido a evolução acelerada da concentração de renda no espaço geográfico nacional. Estudo divulgado nesta quinta-feira (12) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) revelou uma queda acumulada de 14,3% no índice de Gini no período, do 0,49 registrado em 1970 para 0,42 em 2007 – dado mais recente disponível.
O Índice de Gini é uma medida de desigualdade que vai de 0 a 1 – quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade.
No período, duas regiões acusaram elevação acumulada no índice de Gini, caso do Centro-Oeste (22,9%), que passou de 0,28 para 0,35 e do Norte (8,7%), que foi de 0,30 para 0,32. Três regiões apontaram diminuição no índice: Nordeste (-48,3%), de 0,59 para 0,31, Sul (-23,1%), de 0,32 para 0,25 e Sudeste (-4,1%), de 0,41 para 0,39.
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Apesar do relativo “congelamento” na evolução da desigualdade, o índice continua aumentando em alguns municípios, porém, a aceleração é bem menor que a registrada no período anterior analisado no estudo – de 1920 a 1970, quando o auge do ciclo de produção industrial fez o Brasil registrar forte tendência à concentração de renda, especialmente em determinados espaços do território nacional.
Desconcentração
Segundo o Ipea, a diminuição da desigualdade é resultado das políticas públicas de desconcentração produtiva e descentralização dos gastos e investimentos públicos. Tais políticas, porém, “se mostram fundamentais, embora insuficientes sem o desenvolvimento nacional, regional e local.”
Para o órgão, a assimetria territorial nos municípios na formação do PIB precisa se enfrentada. “A descentralização do gasto público iniciada originalmente pela Constituição Federal de 1988 deveria avançar ainda mais, bem como o fortalecimento da desconcentração dos investimentos em infraestrutura produtiva, promovido por políticas como o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) 1 e 2”, finaliza o Ipea.