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SÃO PAULO – O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou há pouco o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente ao mês de dezembro. O índice ficou em 0,65%, acima da expectativa do mercado que era de 0,39%. Em novembro, o índice atingiu 0,71%, enquanto em dezembro de 2000, o IPCA foi de 0,59%. Apesar da variação dos alimentos ter sido bem menor que a de novembro, os produtos não alimentícios registraram uma escalda de preços maior em dezembro.
Segundo o IBGE, a inflação acumulada medida pelo IPCA em 2001 ficou em 7,67%, sendo 2,96% no primeiro semestre e 4,58% no segundo. A inflação acumulada no ano passado superou tanto a meta acordada com o FMI quanto as expectativas do mercado, que era de 7,4%. A inflação em 2001 também ficou acima do percentual de variação de 5,97% referente ao ano anterior. A variação dos produtos alimentícios ficou em 9,63% em 2001, com contribuição de 2,12 ponto percentual no índice. A maior alta foi verificada no feijão preto, 162,31%. Os produtos não alimentícios, com 7,12%, tiveram contribuição de 5,55 pontos percentuais.
Menor impacto dos alimentos e deflação de combustíveis
Ao contrário do que foi registrado em novembro, a variação dos preços dos gêneros alimentícios ficou menor em dezembro, passando de 1,31% em novembro para 0,56% em dezembro, incluindo inclusive a deflação de alguns alimentos. No mês passado, o arroz que havia registrado aumento de 4,81% nos preços em novembro, apurou deflação de 0,12%; já a variação dos preços da carne caiu de 2,87% para 0,82%. Além disso, tanto a gasolina (de 0,29% para -0,34%) quanto o gás de bujão (de 0,47% para -0,54%) apresentaram variações negativas no mês.
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Por outro lado, em dezembro com as festas de final de ano e com o auge da coleção primavera/verão, os preços dos artigos de vestuário registraram uma variação maior, passando de 0,89% em novembro para 1,91% em dezembro. No mesmo sentido, os produtos farmacêuticos também registraram uma escalada maior dos preços em dezembro (de 0,48% para 1,98%). Desta forma, segundo o IBGE, mesmo com variações negativas nos combustíveis e com a menor pressão dos alimentos, os produtos não-alimentícios, registraram variação de 0,68% em dezembro, o que é acima da taxa de novembro (0,54%).
Energia e transporte coletivo pressionam inflação carioca
A capital brasileira que apresentou a maior alta dos preços durante a apuração do índice em dezembro foi mais uma vez o Rio de Janeiro (+1,04%), este aumento reflete o impacto dos reajustes das tarifas de energia elétrica, com a variação de 3,21% para o item, refletindo o reajuste de tarifas concedido pela Aneel à Light, distribuidora de energia para a cidade do Rio de Janeiro. Além disso, outras variações que contribuíram para a formação da inflação no Rio foram: alimentos (0,88%) e ônibus urbanos (5,77%).
A listas das capitais com os maiores aumentos dos preços segue com Recife (+0,91%), Salvador (+0,87%), Fortaleza (+0,79%) e Belém (+0,78%). Por outro lado, a cidade de Curitiba (+0,28%) registrou, em dezembro, o índice regional mais baixo; seguida por São Paulo (+0,52%) e Brasília (+0,55%).
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Inflação anual supera metas
O governo brasileiro e o FMI escolheram este índice para acompanhar a inflação no Brasil, a meta do acordo para 2001 era de uma alta de 4% dos preços, com flexibilidade de até 2,0 pontos percentuais para cima ou para baixo. Desta forma, fica claro que as metas não foram atingidas. Dentre os fatores que contribuíram para o aumento na taxa acumulada no ano, destacam-se os efeitos climáticos sobre a lavoura, os reajustes anuais de tarifas públicas, a alta do dólar e a crise energética que geram um forte impacto sobre os preços em 2001.
O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, referindo-se às famílias com rendimento monetário de 1 a 40 salários-mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange nove regiões metropolitanas do país, além dos municípios de Goiânia e de Brasília. Para cálculo do IPCA de dezembro foram comparados os preços coletados no período de 27 de novembro a 27 de dezembro (referência) com os preços vigentes no período de 27 de outubro a 26 de novembro (base).