Intenção de comprar a prazo cresce mais do que à vista em julho

Dados da ACSP ainda mostram que, devido à greve dos Correios, negociações de dívidas caíram no sétimo mês do ano

Publicidade

SÃO PAULO – A intenção dos consumidores em comprar a prazo, medida pelas consultas feitas ao SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), aumentou 11,4% em julho, em relação ao mesmo período do ano passado, revela levantamento divulgado nesta sexta-feira (1) pela ACSP (Associação Comercial de São Paulo).

Considerando as consultas feitas ao SCPC Cheque, que mostram a intenção dos consumidores em comprar à vista, percebe-se alta de 5,2% no mesmo período.

Análise mensal

As compras a prazo também foram destaque quando analisados os meses de junho e julho deste ano. Na comparação mensal, o levantamento mostra que o SCPC teve alta de 10,2%, enquanto o SCPC Cheque registrou crescimento de 4,5%.

De acordo com o presidente da ACSP, Alencar Burti, as vendas a prazo foram apenas levemente afetadas pelo aumento das taxas de juros, porque os prazos de financiamento ainda se mantêm longos. A expectativa, porém, é de que no último trimestre as taxas de juros maiores tenham impacto no hábito do consumidor, reduzindo o ritmo de crescimento das vendas para a casa dos 6%.

Em relação aos cheques, Burti afirmou que a inflação dos alimentos, que impacta principalmente a baixa renda, tem diminuído os recursos destinados a outros bens. Particularmente em São Paulo, o inverno também prejudica as aquisições à vista.

Inadimplência

Ainda segundo o levantamento, houve um aumento de 10,9% no número de registros recebidos no cadastro de inadimplentes do SCPC em julho, na comparação com o mesmo mês de 2007. Na comparação mensal, o avanço foi de 1,3%.

Continua depois da publicidade

Já a quantidade de cancelamentos de débitos elevou-se em 0,3% no mês de julho, em relação ao mesmo mês de 2007 e caiu 1% na análise mensal.

Segundo Burti, os números revelam uma dificuldade do brasileiro em quitar seus débitos, o que vai contribuir para a inadimplência. Ele conclui ainda que as renegociações de dívidas em julho foram prejudicadas pela greve dos Correios, que interrompeu por 15 dias as comunicações do SCPC para os devedores em atraso.