Publicidade
Depois de quatro anos sem lançar novas músicas, o cantor britânico Harry Styles anunciou um novo álbum para 2026 e turnê que deve passar pelo Brasil em julho. No entanto, os consumidores enfrentaram dificuldades na hora de comprar os ingressos na pré-venda nesta segunda (26) e terça-feira (27).
A empresa responsável pelas vendas, Ticketmaster, foi acionada pelo Procon-SP para explicar as denúncias sobre a venda em um ponto físico localizado no shopping SP Market, em São Paulo.
Segundo relatos das redes sociais, com imagens, os consumidores foram informados de que alguns setores, os mais próximos do palco, já estavam esgotados logo após a abertura das bilheterias. Ao mesmo tempo, cambistas foram vistos com diversos ingressos nas mãos.
Continua depois da publicidade
A deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP) e o deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL-SP) enviaram ao Procon denúncias formais contra a Ticketmaster para explicar a venda “sem limites” para cambistas.
A venda geral acontece nesta quarta-feira (28), a partir das 12h (de Brasília). Os shows ocorrem nos dias 17 e 18 de julho de 2026, no Estádio MorumBIS.
O que diz a Ticketmaster?
Em nota enviada ao InfoMoney, a organizadora do evento alega que não apoia a revenda ilegal de ingressos e não vende bilhetes antecipadamente para cambistas ou possui parceria de revenda que os privilegiem.
A empresa alegou que as vendas seguiram ordem de chegada e demanda dos 20 pontos de venda distribuídos pela capital paulista. Confira a nota na íntegra:
“A Ticketmaster não apoia a revenda ilegal de ingressos, não vende ingressos antecipadamente para cambistas e não possui parcerias com operadores de revenda que os privilegiem em detrimento dos fãs. Qualquer alegação em contrário é incorreta. De acordo com nossos Termos e Condições, ingressos identificados como sendo oferecidos em plataformas de revenda ilegais ou não autorizadas podem ser cancelados e disponibilizados para venda novamente aos fãs.
A venda de ingressos de ontem para a turnê Together, Together de Harry Styles em São Paulo fez parte de uma fase de pré-venda limitada, com o estoque de ingressos alocado pela promotora, pelo artista e sua equipe entre a pré-venda e a venda geral. Na bilheteria física, uma parte do estoque de ingressos em diferentes faixas de preço é reservada para vendas presenciais, e os ingressos são vendidos por ordem de chegada para aqueles presentes fisicamente, dentro dos limites de compra estabelecidos.
Continua depois da publicidade
Para atender os fãs no local, 20 pontos de atendimento estavam operando simultaneamente, permitindo que várias compras fossem processadas ao mesmo tempo. Para setores muito procurados, como a pista, a disponibilidade foi particularmente limitada e os ingressos se esgotaram rapidamente nessas condições, o que pode ter levado à percepção de que alguns fãs não tinham ingressos disponíveis, mesmo chegando cedo.
A bilheteria reabre hoje ao meio-dia e os fãs já estão formando filas. Nossas equipes estão no local oferecendo suporte e garantindo que o processo continue funcionando sem problemas.
Entendemos a frustração dos fãs e levamos suas preocupações a sério. Nosso foco continua sendo apoiar os artistas e ajudar os fãs a terem acesso aos ingressos da maneira mais justa e transparente possível.“
Continua depois da publicidade
Como os consumidores podem se proteger?
Bruno Boris, sócio fundador do Bruno Boris Advogados, comenta que caso, de fato, tenha ocorrido uma preferência aos cambistas e os consumidores finais não tenham sido atendidos adequadamente, tal conduta pode caracterizar prática abusiva.
“Caberia à organizadora evitar o acesso de cambistas, o que nem sempre é possível. O consumidor que se sinta lesado pode reclamar junto ao Procon ou ingressar com uma medida judicial pedindo alguma reparação. Caberá ao juiz, na hipótese de ação judicial, decidir se houve dano indenizável, pois o juiz pode entender que perder um show é mero aborrecimento que não é tão relevante a gerar indenização”, explica.
Comprar ingressos de cambista pode ser enquadrado na Lei dos Crimes contra a Economia Popular (1.521/51), que prevê penas de seis meses a dois anos de detenção, além de multa.
Continua depois da publicidade
Já Thiago Campbell, especialista em direito processual civil do Fonseca Brasil Serrão Advogados, avalia que para o consumidor individual, não existe um instrumento jurídico que permita “tomar” um ingresso específico de um cambista para si.
“O que ocorre é a pressão dos órgãos de defesa do consumidor para que a empresa identifique fraudes e devolva essas unidades ao estoque oficial para a venda geral”, afirma.
Por sua vez, Stephanie Almeida, advogada do Poliszezuk Advogados, lista outros direitos que os fãs podem acionar, além da denúncia no Procon:
Continua depois da publicidade
- O Direito à Segurança e Eficiência do Serviço (Art. 14, CDC)
A empresa vendedora tem responsabilidade objetiva pela falha na prestação do serviço, então se o sistema permite que robôs (bots) ou cambistas profissionais “furem” a fila ou esgotem setores em segundos, a plataforma falhou em garantir um ambiente de compra seguro e equânime.
O que exigir: A revisão das vendas e o cancelamento de ingressos comprados de forma irregular (múltiplas compras pelo mesmo CPF/cartão) para que voltem ao estoque oficial.
- A Proteção contra Práticas Abusivas (Art. 39, CDC)
O CDC proíbe que o fornecedor se recuse a vender a quem se dispõe a pagar (pronto pagamento) ou que dê preferência desleal a intermediários em detrimento do consumidor final.
O que exigir: Transparência sobre a quantidade real de ingressos destinados à pré-venda e à venda geral, além da comprovação de que os limites por CPF foram respeitados.
- Direito à Informação Clara e Transparente (Art. 6º, CDC)
Muitos consumidores relataram taxas abusivas (como as de QR Code em pontos físicos) e falta de clareza sobre o lugar na fila. O consumidor tem direito de saber exatamente quantos ingressos estão disponíveis para cada setor no momento em que a venda abre.
Ela ainda mostra o que é possível fazer a partir de agora:
- Produção de Prova: Tire prints de erros no site, de anúncios de cambistas em sites de revenda (como Viagogo ou redes sociais) com horários próximos à abertura das vendas, e de relatos de pessoas saindo com “bolos de ingressos” na bilheteria física;
- Reclamação Individual: Registre uma queixa no Procon-SP Digital ou no consumidor.gov.br. Quanto maior o volume de queixas individuais, maior a força para uma punição coletiva;
- Denúncia à Senacon: A Secretaria Nacional do Consumidor já foi acionada por parlamentares este ano para investigar a “máfia dos ingressos”. Você pode protocolar sua denúncia no canal oficial do Ministério da Justiça.
