Inflação pode fechar o ano dentro da meta, prevê FGV

Para economista da fundação, as sucessivas altas dos juros reduziram preços do atacado e queda já se dissemina pelo varejo

Publicidade

SÃO PAULO – A inflação brasileira pode terminar o ano próxima à meta de 5,1% estabelecida pelo governo, segundo prevê Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Na opinião do economista, as repetidas elevações da taxa básica de juro, promovidas pelo Copom (Comitê de Política Monetária) de setembro de 2004 a maio deste ano, parecem surtir efeito no combate à inflação, e nos últimos meses os preços no atacado estão caindo e esta queda tem se espalhado pelo varejo.

“O que antes se mostrava muito pouco factível, que era o resultado do final do ano da inflação ficar perto da meta estabelecida, hoje já deixou de ser uma coisa tão difícil assim”, diz Quadros, completando que cada vez mais o mercado financeiro projeta que este resultado seja alcançado em 2005.

Deflação acentuada

O economista da FGV se baseia no desempenho dos IGPs (Índice Geral de Preços) para sustentar suas previsões quanto à inflação. Quadros lembra que o ciclo de deflação registrado pelo IGP-DI (Disponibilidade Interna) de maio a agosto deste ano é o maior dos últimos 40 anos. No acumulado de 2005, este índice acumula alta de apenas 0,32%.

Ainda segundo o economista, as taxas moderadas de expansão do IGP-DI também provocarão um menor efeito de realimentação a alta de preços, uma vez que este indicador é utilizado como base para reajustes de tarifas públicas.

Vale dizer que a política monetária adotada pelo Copom, de sucessivas altas da taxa básica de juro, tem a intenção de combater a inflação gerada pela demanda, ao frear o consumo com o encarecimento do crédito, e assim evitar que os mais diversos setores da economia reajustem seus preços.

Continua depois da publicidade

Os juros altos também atraem mais investimentos financeiros do exterior, aumentando a oferta de dólares no País e desvalorizando a moeda norte-americana frente ao real, o que barateia importações e contribui para o controle da inflação. Cabe destacar que atualmente a taxa básica de juro encontra-se em 19,75% ao ano.