Inflação é maior para famílias de poder aquisitivo mais elevado, aponta Dieese

De acordo com estudo, o ICV teve a taxa mais elevada (0,92%) para famílias que têm renda média de R$ 2.792,90

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SÃO PAULO – Além do Índice de Custo de Vida (ICV) para o município de São Paulo, o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos) divulgou também nesta terça-feira (07) os índices inflacionários para os diferentes estratos de renda das famílias paulistanas.

Em novembro, o ICV geral atingiu a taxa de 0,83%, registrando um aumento de 0,30 ponto percentual em relação ao nível verificado em outubro (0,53%). Os grupos que mais contribuíram para este resultado foram: Despesas Pessoais (+2,70%), Transportes (+1,68%) e Saúde (+1,19%). Juntos, os três grupos contribuíram com 0,52 ponto percentual no total do ICV.

Gastos diferentes, comportamento inflacionário diferente

O comportamento inflacionário apurado pela pesquisa apresentou variações distintas para os índices dos três estratos de renda das famílias paulistanas. Apesar da taxa revelar elevação em todos os grupos, aquele formado por quem tem maior poder aquisitivo (estrato 3) registrou aumento mais considerável. Para estas famílias, que têm renda média de R$ 2.792,90, o ICV chegou a 0,92%.

Para as famílias consideradas de baixa renda, que pertencem ao estrato 1, a inflação em novembro foi de 0,54%, o menor acréscimo entre os grupos analisados. Vale lembrar que este conjunto de famílias corresponde à estrutura de gastos de 1/3 das famílias com menor rendimento (renda média de R$ 377,49) .

Já para as famílias de nível intermediário (estrato 2), cuja renda média é de R$ 934,17, a inflação foi de 0,77%.

Gasolina e cigarro

Segundo o Dieese, o reajuste verificado nos Transportes afetou mais as famílias de maior poder aquisitivo, uma vez que o item deste grupo que teve seu preço elevado foi o combustível. Para se ter uma idéia, o impacto deste aumento foi de 0,32 ponto percentual para o estrato 3, e de apenas 0,10 p.p. para o estrato 1.

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Por outro lado, o segmento Despesas Pessoais deve seu encarecimento ao reajuste do cigarro, que interferiu mais na inflação verificada entre as famílias de baixa renda (0,15 p.p.). Para os demais estratos, esta variação foi de 0,11 p.p. (estrato 2) e de 0,07 p.p. (estrato 3).

Comportamento atípico do grupo Alimentos

Seguindo o resultado verificado na pesquisa, as contribuições do grupo Alimentos por estrato de renda foi crescente, de acordo com o aumento do poder aquisitivo. O resultado é atípico, uma vez que as famílias de menores rendas, normalmente, são as que mais gastam com alimentação.

O maior impacto do grupo para as famílias do estrato 3 (0,09 p.p.) se deu pelo fato da alta do índice de preços no grupo ser impulsionada pela elevação nos custos da alimentação fora de casa, que afeta mais as camadas de maior poder aquisitivo. Para efeito de comparação, o grupo apresentou acréscimo de 0,04 p.p. no estrato 2, e retração de 0,01 p.p. no estrato 1.