Inflação dos alimentos diminui renda disponível e leva à inadimplência

"Com aumento do preço dos produtos básicos, fica difícil honrar dívidas", diz assessor da Serasa

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SÃO PAULO – A inflação dos alimentos pode ser apontada como um fator indireto de aumento da inadimplência dos brasileiros, já que diminui a renda disponível para o pagamento da dívida. “Com o aumento do preço dos produtos básicos, fica difícil honrar os compromissos financeiros”, diz o assessor econômico da Serasa, Carlos Henrique de Almeida.

“Com a inflação alta, tomar crédito fica mais caro em um país em que ele já é caro, e a inadimplência tende a aumentar”, completa. Dados da Serasa, divulgados nesta quinta-feira (16), apontam que houve alta de 6,7% na inadimplência dos brasileiros entre os primeiros quatro meses de 2007 e 2008, justificada, dentre outros motivos, pela redução da renda disponível.

Pior para a baixa renda

O problema afeta mais a baixa renda, que não tem experiência na tomada de crédito. “O crédito alavanca a economia e o pagamento no longo prazo é bom, quando se tem uma população que sabe usá-lo. Nos países desenvolvidos, a educação financeira é feita já no ensino básico”, afirma o assessor.

De acordo com o diretor de marketing do Itaú, Fernando Chacon, o aumento do preço de alimentos certamente compromete a renda dos brasileiros. “Prioritariamente os de baixa renda, pois este item pode representar cerca de 50% da renda mensal. Minha leitura é que isso pode comprometer o consumo de produtos supérfluos”, afirmou.

Compras no supermercado

Além disso, outro agravante é o fato de supermercados oferecerem o crédito para a compra de alimentos. “A comida a prazo não é um bom negócio. Deve-se usar o meio de pagamento para bens duráveis”, diz Almeida.

O consultor financeiro Cláudio Carvajal também divide a mesma opinião. Para ele, o mais indicado é não usufruir da vantagem de comprar a prazo na aquisição de bens de consumo básicos “Seria interessante evitar comprar parcelado, somente quando a pessoa estiver precisando muito. Neste caso, é preciso analisar a menor taxa de juros e fazer na menor quantidade de parcelas possível, porque quanto menor o prazo, menos se paga em juros”, afirmou.

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Inflação

Levantamento do Procon-SP apontou que, em abril, produtos básicos da alimentação tiveram os maiores pesos na variação da cesta básica.

O arroz, por exemplo, teve uma contribuição de 0,62% em abril; a carne de primeira, de 0,19%; e a carne de segunda sem osso, de 0,18%. O preço do pacote de 5 kg do arroz tipo 2 aumentou 7,5% entre 31 de março (R$ 7,20) e 30 de abril (R$ 7,74).

O quilo da carne de primeira, por sua vez, aumentou 1,85% entre março e abril, indo de R$ 9,20 para R$ 9,37. No mesmo período, o custo da carne de segunda sem osso se elevou em 1,81%, de R$ 6,64 o quilo para R$ 6,76.