Inflação deve continuar elevada em 2003, mesmo com queda do dólar

Com preços ainda em alta, todo o cuidado é pouco para evitar que os reajustes acabem corroendo demais seu poder de compra

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SÃO PAULO – A forte alta do dólar em 2002 foi responsável pela grande diferença entre a inflação medida pelos diversos índices de preços no ano passado. Enquanto o IGP-M, por ser um índice que reflete de forma mais relevante os preços no atacado, e, portanto, é mais afetado pelo dólar, subiu 25,30%, o IPCA registrou inflação de 12,53%.

Com a queda do dólar nas últimas semanas, a expectativa seria que este comportamento se invertesse, com o IGP-M mostrando desaceleração da inflação e o IPCA, que é um índice que mede a inflação a nível somente a nível do consumidor, mostrando uma inflação maior.

IGP-M sobe mais que IPCA também em 2003

No entanto, o desempenho dos dois índices até agora em 2003 mostrou que isso não aconteceu como era previsto. No primeiro trimestre deste ano o IGP-M mostrou inflação acumulada de 6,26%, ainda superior à variação de preços de 5,13% medida pelo IPCA.

A expectativa fica agora em relação aos índices referentes ao mês de abril, quando a desvalorização do dólar tem sido mais acelerada, o que levou a Petrobras a anunciar uma redução dos preços dos combustíveis ainda nos próximos dias.

Inércia e reajuste de margens

A forte alta do IGP-M nos últimos meses, mesmo com o fim da forte desvalorização do real que impulsionou o índice no ano passado, mostra que a inflação tem um componente de inércia maior do que o esperado pelo mercado. A inércia não é nada mais do que a reação dos fabricantes e lojistas, buscando reajustar seus preços já que outros subiram.

Assim, uma forte aceleração da inflação tende a influenciar os preços por períodos mais longos, já que muitos tentam aumentar seus preços para “tirar o atraso” em relação a outros preços, pressionando, assim, a inflação.

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Além disso, diversos setores estão buscando recompor margens, ou seja, repassar parte do aumento do ano passado, que não pode ser realizado em 2002, pois as condições do mercado não permitiam. É o caso, por exemplo, dos importadores, que se tivessem aumentado os preços na mesma proporção da alta do dólar, provavelmente teriam visto suas vendas despencarem.

Perspectivas de inflação elevada

Refletindo estes fatores, o mercado continua acreditando em uma inflação elevada em 2003, mesmo com a perspectiva de queda do dólar. A expectativa média das 100 principais instituições, de acordo com pesquisa divulgada pelo Banco Central, é que a inflação medida pelo IPCA fique em torno de 12,4% em 2003, enquanto o IGP-M subiria cerca de 15,2% no mesmo período.

Neste contexto, as pessoas devem ficar atentas aos reajustes de preços, tanto de preços administrados, como tarifas de eletricidade, telefonia, água, etc, como contratos, como aluguel e, no caso de empresas, fornecedores. Afinal de conta, o efeito no orçamento pode ser grande, principalmente na situação atual, onde aumentos de salários são cada dia mais raros.