Indústria tem maior intenção de reajuste de preços desde Plano Real

Estudo da FGV sugere que 48% dos empresários mostra interesse em reajustar preços; apenas 3% acreditam em queda dos preços

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SÃO PAULO – O consumidor já vem sentido desde julho no seu bolso o impacto da alta do dólar no preço de vários produtos. A pressão no orçamento das famílias brasileiras só não é maior porque muitos varejistas estão optando pela troca de fornecedores ou estão adiando a renovação de estoques, como forma de evitar repasses ainda mais expressivos nos preços.

Alguns varejistas apostaram que, com a confirmação da vitória de Lula para a presidência, o dólar iria ceder, mas isto só pode acontecer de maneira significativa depois do anúncio do ministério do novo governo. Ainda assim, mesmo que o dólar recue dos níveis atuais, os preços ainda devem seguir pressionados por algum tempo, pois muitos comerciantes ainda terão mercadorias compradas quando a moeda estava mais alta.

Empresários querem reajustes

Não bastasse o efeito do dólar que ainda deve contaminar os preços por algum tempo, os próprios empresários parecem estar mais predispostos a reajustar os preços neste último trimestre de 2002. Esta tendência foi constatada na 145º Sondagem Conjuntural da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Segundo o levantamento feito pela FGV, 48% dos 1.225 empresários entrevistados indicaram intenção de reajustar seus preços no último trimestre deste ano, enquanto apenas 3% acreditam que os preços possam cair. Esta seria a maior intenção de reajuste registrada pelo levantamento desde a adoção do Plano Real, em agosto de 1994.

A maior intenção de reajuste por parte dos empresários reflete o forte aumento do custo dos insumos, principalmente os importados, no terceiro trimestre deste ano, devido à forte valorização do dólar. Enquanto os insumos importados teriam sido ajustados já no trimestre passado, os insumos nacionais estariam sofrendo reajustes somente agora.

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Fiesp aposta em pacto com novo Governo

Apesar disto, se depender da afirmação do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, os empresários podem acabar aceitando retardar estes reajustes, como forma de facilitar a transição. Piva pediu que todos tenham paciência, e não deixou de lado os sindicalistas que, segundo ele, já estariam engajados em campanhas salariais.

Na visão do presidente da Fiesp, os desafios para o novo presidente são enormes e a oposição pode adotar uma postura mais branda, até porque existe muita semelhança entre as propostas do candidato derrotado do PSDB, José Serra, e as do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva.

O próprio Fernando Henrique Cardoso pediu publicamente ao PSDB que evite adotar uma postura excessivamente crítica, lembrando que “o PSDB não deve fazer com Lula o que o PT fez comigo”, em uma alusão à oposição sistemática do partido às propostas apresentadas por FHC no Congresso.
Muitas delas inclusive já fazem parte das prioridades do novo governo, como é o caso da Reforma da Previdência, que também estaria, juntamente com a reforma tributária, no topo das reivindicações dos industriais, segundo Piva. Nesta semana o presidente da Fiesp pretende estabelecer um cronograma de negociações com o novo presidente eleito, para discutir as propostas que apresentou durante o processo eleitoral.