Indústria de reforma de pneu poderá continuar operando no Brasil

OMC aceitou os argumentos brasileiros e autorizou o País a manter a proibição de entrada de pneus reformados europeus

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SÃO PAULO – A indústria de reforma de pneu poderá continuar operando no Brasil, mesmo com o fim das importações de pneus usados, segundo afirmou o diretor da Associação Nacional de Pneus (Anip), Vilien Soares, durante audiência pública na Câmara na quinta-feira (12).

Após intensa discussão sobre a proibição de importação de pneus reformados europeus, a Organização Mundial do Comércio (OMC) aceitou os argumentos brasileiros e autorizou o País a manter a proibição de entrada de pneus reformados vindos da Europa, por considerar que as compras desses produtos comprometem a redução de resíduos.

Mesmo assim, o Brasil poderá continuar operando a indústria de pneus reformados. No entanto, Soares acredita que as empresas terão um lucro menor, pois hoje importam pneus usados da União Européia a um custo muito baixo.

Preços

O deputado Max Rosenmann (PMDB-PR), que também participou do encontro, lembrou que os pneus novos tiveram seus preços reduzidos de US$ 80 (cerca de R$ 150) para entre US$ 30 e US$ 40 (entre R$ 57 e R$ 76), em razão da indústria brasileira de recuperação de usados.

“Isso quebrou a espinha do cartel dos fabricantes”, afirmou o parlamentar, conforme veiculou a Agência Câmara.

Destinações

Soares afirmou que, em maio deste ano, as indústrias de pneus reformados tinham, em todo o País, 246 pontos de coleta de pneus inservíveis “para dar uma destinação final correta”. Segundo o presidente da Anip, só em 2007, foram coletados 130 milhões de pneus, dos quais 80% foram destinados à utilização em fornos de fabricação de cimento, 14% para fabricação de pó de borracha, 6% para laminação.

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Concorrência

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Pneus Remoldados (Abip), Francisco Simeão, acredita que os grandes fabricantes de pneus querem eliminar o concorrente.

“Os fabricantes de pneus novos não cumprem sequer 20% de suas obrigações ambientais”, afirmou. Ele lembrou ainda que muitas fábricas de reforma de pneus serão fechadas, se for proibida a importação de carcaças.