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SÃO PAULO – A crise não assustou o brasileiro e a tomada de crédito imobiliário cresceu no começo deste ano, surpreendendo até mesmo agentes do setor. O motivo apontado para isso pode ser a demanda reprimida.
“Não é que a gente esperava que caísse, mas que ficasse estável. A nossa estimativa era de que o crédito fosse, no máximo, como o do ano passado”, afirmou o diretor-executivo e economista-chefe do Secovi-SP (Sindicato da Habitação), Celso Petrucci. “Estão surpreendendo não só o que a Caixa Econômica Federal divulgou, mas os dados da Abecip de janeiro”, completou.
Em relação à CEF, somente nos 10 primeiros dias de março o financiamento imobiliário movimentou cerca de R$ 750 milhões, o que corresponde a 107 mil contratos. Entre janeiro e março deste ano, o valor movimentado já ultrapassa os R$ 5 bilhões.
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Já os dados da Abecip mostraram que as novas operações contratadas pelos agentes financeiros do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), que operam com recursos das cadernetas de poupança, atingiram R$ 1,9 bilhão em janeiro, o que significa um aumento de 17,45% sobre o mesmo período do ano passado (R$ 1,6 bilhão).
Motivos
De acordo com Petrucci, os resultados expressam o déficit habitacional. “Isso, para mim, é que continuamos com uma demanda reprimida e a crise não atingiu a necessidade das pessoas de ter um imóvel. Por isso, cresce a demanda”, explicou.
Porém, ele destacou que os crescimentos são marginais e que não revelam uma tendência. “O que a gente não sabe é se o aumento é remanescente de 2008 ou se é uma tendência”, completou.
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Conforme explicou o diretor-executivo, a queda da Selic não pode ser apontada como um motivo para a procura no crédito imobiliário, uma vez que não afeta imediatamente as taxas de juros para a tomada do empréstimo. “Nem o aumento ou a queda influenciam o crédito imobiliário”, afirmou ele.
Apesar disso, de acordo com o presidente do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), Sérgio Watanabe, a queda da Selic melhora a expectativa do mercado. “Efeito prático da queda da Selic no crédito imobiliário eu desconheço, porque está muito recente, mas fica uma expectativa favorável”.