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SÃO PAULO – Apesar dos significativos prejuízos da União com acidentes de trânsito nas estradas, o governo federal tem retidos no Tesouro mais de R$ 1 bilhão, provenientes de multas, que deveriam ser obrigatoriamente aplicados em programas de conscientização e segurança no trânsito.
Segundo pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), no Brasil, mais de 35 mil pessoas morrem, por ano, vítimas de acidentes de trânsito, ou seja, são 100 mortes por dia.
Essas e outras constatações foram discutidas em audiência pública na Comissão de Viação e Transportes, realizada na última quarta-feira (30).
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Desobediência no trânsito
Conforme divulgou a Agência Câmara, na reunião, o assessor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) Dilson de Almeida Souza, disse que, entre os principais fatores para os acidentes, estão a falta de atenção, a desobediência às normas de trânsito e os erros humanos.
O médico Aloísio Fernandes Bonavides Júnior, integrante do Comitê de Defesa Profissional da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, apresentou aos parlamentares proposta de alteração no Código de Trânsito Brasileiro, para proibir os motoristas de beber qualquer quantidade de álcool antes de dirigir. Atualmente, a lei permite a ingestão de até dois copos de cerveja ou uma dose de uísque ou de cachaça.
Bonavides sugeriu ainda que as indústrias automobilísticas sejam co-responsáveis pelos acidentes, que o número de radares e de lombadas seja ampliado, que a fiscalização seja mais severa e que as multas de trânsito sejam mais caras e investidas em projetos de educação no trânsito.
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Custos públicos
De acordo com a técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Patrícia Alessandra Morita, que participou da audiência, acidentes de trânsito em rodovias brasileiras custam anualmente R$ 22 bilhões, o que equivale a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
O diretor do Departamento de Análise de Situação de Saúde do Ministério da Saúde, Otaliba Libânio de Morais Neto, que também participou do debate, disse que as maiores vítimas de acidentes são pedestres. Segundo Libânio, o maior número de mortes ocorre entre homens (81%) na faixa etária de 10 a 39 anos.