Genéricos influenciam preço dos remédios de marca

Pesquisa da Anvisa sugere que 38% dos medicamentos de marca baixaram seus preços ou aplicaram reajustes abaixo do concedido pelo Governo

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SÃO PAULO – Diante da concorrência com os genéricos, os fabricantes de medicamentos de marca estão encontrando dificuldades de reajustar seus preços. Em alguns casos, os fabricantes estão optando por reajustes abaixo do concedido, ou até mesmo para a redução dos preços dos medicamentos. Pelo menor é o que foi constatado em uma pesquisa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Reajustes abaixo do concedido pelo Governo

A pesquisa analisou, entre junho de 2000 e dezembro de 2001, os preços dos 21 dos remédios mais vendidos do mercado. De acordo com os resultados, cerca de 38% destes remédios tiveram seus preços reduzidos, ou optaram por reajustados abaixo dos 8,49% concedidos pelo governo para o setor entre agosto de 2001 e março de 2002.

Ainda de acordo com a Anvisa, os reajustes médios destes medicamentos ficaram entre 1,86% e 7,77%, mas em alguns casos pode-se observar uma redução de até 23,99% no preço do medicamento. Esta tendência reflete o efeito da competição com os genéricos, que tem levado os remédios de marca a perder participação de mercado, forçando os laboratórios a praticar reajustes menores.

Na opinião da Anvisa, apesar de incluir poucos medicamentos, a pesquisa é relevante para ilustrar a tendência do mercado, pois engloba os principais medicamentos vendidos no país.

Diferença de preços é de até 60% em alguns casos

A Anvisa cita como exemplo o preço do remédio para tratamento da úlcera Losec, do laboratório AstraZeneca, cujo preço caiu em 23,99% devido à concorrência do genérico Omeprazol Sódico. O Losec injetável 40 mg com 25 ampolas custa R$ 995,84, enquanto o genérico, na mesma apresentação, custa R$ 391,00, uma diferença de 60%.

Outro medicamento cujo preço caiu foi o anti-hipertensivo Norvasc, da Pfizer, cujo preço baixou 1,12% e que custa R$ 55,37, enquanto seu genérico, o Besilato de Anlodipino, custa R$ 24,15, o que equivale a uma diferença de 56%.

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Na opinião do diretor da Merck Sharp, Sidney Castro, a entrada dos genéricos, que atualmente respondem por 9% do mercado, acabou forçando os grandes laboratórios a buscar aumentos de produtividade de forma a conseguirem cortar os preços sem perder margem.

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