Geely anuncia operações no Brasil e apresenta sedã EC7; veja primeiras impressões

Marca chinesa também trará hatch GC2 e considera abrir fábrica no Brasil

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SÃO PAULO – Mais uma montadora chinesa mira fincar os pés no mercado brasileiro. A Geely Motors, detentora do Volvo Cars, anunciou na última terça-feira (21) sua chegada com planos ousados para o País. No evento, que aconteceu no centro administrativo e operacional em Itu, interior de São Paulo, a marca também apresentou os primeiros modelos: o sedã médio EC7, que virá em março, e o hatch GC2, previsto para junho.

A marca, representada pelo Grupo Gandini, também dono da Kia do Brasil, iniciará suas atividades em março com 15 concessionárias full service em Belo Horizonte, Brasília, Goiânia, Florianópolis, Londrina, Maringá, Natal, Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Ribeirão Preto, entre outras cidades. Até o fim deste ano, a importadora terá 25 pontos de distribuição no País.

Os dois carros serão produzidos na fábrica da Geely no Uruguai. A expectativa é vender 3.500 unidades no Brasil neste ano e atingir a capacidade máxima da fábrica, de 20 mil veículos por ano em 2015, afirmou o presidente da Geely Motors do Brasil, Ivan Fonseca e Silva. “Estamos cautelosos em relação às vendas, por conta da restrição do crédito e do aumento do IPI, que podem atrapalhar o desempenho nesta primeira etapa.”

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Fábrica no Brasil
Os executivos da Geely também apontaram interesse em ter uma fábrica em solo nacional. “Estamos pensando na possibilidade de abrir uma fábrica no Brasil, mas não temos nada definido” comentou Silva, acrescentando que a empresa terá um posicionamento sobre o assunto ainda neste ano. Para a construção, alguns estados já foram cotados, como São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Bahia e Minas Gerais. A possibilidade de fabricar a sueca Volvo também não foi descartada.

Sem dar mais detalhes sobre os investimentos para a fábrica, o presidente do Grupo Gandini, José Luiz Gandini, informou que o grupo investirá 40% e a Geely International, outros 60%. Para estrear no Brasil, a marca prevê ações de marketing para o consumidor, ressaltando a “qualidade dos produtos com preço atraente”, disse Gandini.

Os ‘carros-chefes’ da marca: primeiras impressões
Tanto o sedão médio EC7, quanto o compacto GC2, compartilham da conhecida receita chinesa: oferecer um carro completo a um preço acessível. No primeiro momento, o EC7 estava previsto chegar ao mercado por R$ 50 mil e, o hatch, por R$ 30 mil. Mas, o aumento do IPI, combinado à valorização do dólar, podem encarecer ambos em até R$ 3 mil – os preços fixos só serão revelados uma semana antes do lançamento oficial.

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O primeiro a ser lançado, o EC7, deverá chegar ao mercado como o mais barato (e completo) da categoria – diferencial para vencer seus principais concorrentes, como o Fiat Linea, Chevrolet Cobalt, VW Polo Sedã e Renault Fluence. Ele é movido à gasolina e tem câmbio manual de cinco velocidades.

Segundo levantamentos da fabricante, o EC7 faz de 0 a 100 km/h em 12 segundos e sua velocidade máxima chega a 185 km/h. Contudo, no test drive, o veículo deixou a desejar neste quesito e alcançou, no máximo, a 150 km/h. O carro também apresentou instabilidade após ultrapassar 100 km/h.

Apesar de ser equipado com motor 1.8 litro, com 16 válvulas de 130 cv de potência, o EC7 teve um desempenho inferior ao prometido (ele perdia rapidamente a potência com leves frenagens e era preciso mudar de marchas constantemente). Em relação ao acabamento, os fios soltos do banco de couro e rebarbas no quebra-sol denunciam alguns defeitos de fabricação.

Por outro lado, o EC7 apresenta um design elegante e é silencioso. Com 4,63 metros de comprimento e 2,65 metros de entre-eixos, o modelo pretende conquistar consumidores acostumados com espaço. Outros destaques são o generoso porta-malas, que carrega 670 litros, e a quantidade de itens de série: air-bag duplo, ar condicionado com controle eletrônico, painel digital, trio elétrico, direção hidráulica, rodas de liga leve aro 15, sensor de ré traseira, freio a disco nas quatro rodas, com ABS (Anti-lock Braking System) e EBD (Electronic Brake Distribution) e três anos de garantia.

Vale lembrar que, num futuro próximo, o EC7 terá a mesma arquitetura modular do Volvo V40. Em junho, o carro ganhará motor bicombustível e, em 2015, câmbio CVT.

Já o hatch GC2 (apelidado de ‘pandinha’ pelos executivos da Geely, por apresentar um design similar ao urso chinês), começará a ser fabricado em abril e será comercializado em junho, já com motorização flex.

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* A jornalista fez o test drive a convite da Geely Motors do Brasil.