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SÃO PAULO – Esta quarta-feira (8) marca um ano do fatídico 7 a 1 sofrido pelo Brasil frente à Alemanha, em plena semi-final da Copa do Mundo, no Mineirão. E o “passeio alemão” teve grandes efeitos em como o esporte é encarado no nosso país e no mundo – com diversos efeitos disso para a economia nacional e para como os clubes funcionam. Um ano depois, outro vexame em campo com a eliminação na Copa América para o Paraguai.
O futebol brasileiro sempre foi um dos maiores exportadores de jogadores. Antes da Copa, só perdíamos para a Argentina. O poço parece ter secado, ou ao menos, diminuído. Diversos presidentes de clube de futebol reclamaram de dificuldades na hora de vender jogadores este ano, e os preços das “promessas” nacionais diminuiu drasticamente.
Com isso, o tradicional poder de marketing da seleção brasileira, anteriormente admirada por quase todo o mundo, diminuiu fortemente, o que deve derrubar as receitas do nosso futebol no médio prazo. Sem dúvidas, para empreendedores e publicitários, o futebol brasileiro deve ser um belo de case de estudo para mostrar uma marca danificada por um único evento e que precisa de um resgate.
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A entidade mestre do futebol brasileiro mudou de presidente, passando de José Maria Marin para Marco Polo Del Nero. Em um esforço visto por parte da mídia esportiva como “uma mudança para preservar o status quo”, Del Nero instituiu um novo horário para os jogos de futebol do campeonato e disse que irá rever o jogo tradicional de quarta a noite, que muitas vezes é um fracasso de público.
Outras mudanças estéticas vieram para criar um produto de maior qualidade no futebol brasileiro, como a criação de um logo para o Campeonato Brasileiro e um ritual de entrada no gramado – mas nenhuma delas vai mais fundo. O 7 a 1 não aproximou o futebol brasileiro do alemão, mas mostrou como a seleção reflete o caos em que se encontram os clubes que disputam o campeonato nacional e que formam os jogadores que lá irão.
Uma forma de resolver as dívidas
Um dos maiores problemas do futebol brasileiro é a enorme dívida dos clubes, na casa dos bilhões. Só com a União, os clubes de futebol nacional possuem uma dívida de R$ 4 bilhões – e para muitos deles, ela é praticamente impagável.
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Uma recente discussão foi de uma proposta do deputado federal Otávio Leite, para a criação de um programa de reestruturação de dívidas dos clubes em até 20 anos. A proposta tem o apoio do governo, mas enfrenta a oposição da “Bancada da Bola” no Congresso por influir muito no poder da CBF e das federações estaduais.
Sem a gestão adequada, dificilmente os clubes pagarão suas dívidas. O sistema político dos clubes atual incentiva a irresponsabilidade de gestores: é mais fácil se endividar, adiantar receitas, montar elencos inchados e irreais para ter um bom resultado em campo do que construir um modelo de negócios que sustente o clube no longo prazo. Depois, é só deixar a conta para o próximo mandatário, já que os presidentes atuais não são responsabilizados por suas atitudes.
Profissionalização da gestão e sócio torcedor
Há uma pressão pela profissionalização das gestões esportivas no Brasil. O movimento Bom Senso, encabeçado por jogadores que jogaram na Europa, pede por um “fair play financeiro” para garantir a sustentabilidade do futebol no longo prazo e acabar com um dos problemas mais graves que prejudicam os nossos jogadores: os salários atrasados. Embora tenham tido alguns avanços, as propostas do Bom Senso ainda não foram muito bem aceitas pelos clubes.
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Do ponto de vista financeiro, ao menos dois deles, porém, mostraram um avanço em que é possível ter otimismo: a diretoria do Flamengo conseguiu elevar receitas, cortar despesas e diminuir a dívida – e fazer com que a torcida entendesse o período como algo positivo. Já o Palmeiras conseguiu, com um bom programa de sócio torcedor que já alcançou mais de 100.000 pessoas, gerar bons públicos em seu novo estádio e lucrar, a ponto de ser uma das poucas agremiações nacionais em dia com seus atletas.
A criação de uma Liga dos clubes também é vista como alternativa por alguns, mas não tem o grande apoio dos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro. A única vez que o campeonato nacional foi organizado pelos clubes, em 1987, houve um recorde de arrecadação e de público.
Além disso, o campeonato que mais gera lucro no mundo, o inglês, é organizado diretamente pelos 20 clubes que participam, possui regras de divisão de receitas justas e até mesmo ajuda financeira para clubes que foram rebaixados e verão uma queda expressiva de receita. Lá cada partida vale R$ 43 milhões e há jogos em diversos dias e horários para privilegiar o televisionamento.
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Para alguns, parece que o futebol nacional precisa apenas de alguns ajustes, mantendo boa parte do status quo. Para a carteira dos jogadores e a saúde financeira dos clubes, é bom que esses ajustes sejam uma revolução. E rápido, antes de outro 7 a 1.