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SÃO PAULO – O impacto que a possível compra da Brasil Telecom pela Oi (antiga Telemar) terá sobre o bolso do consumidor ainda não é consenso entre especialistas do setor. Afirma-se que os investimentos em tecnologia aumentarão, uma vez que o negócio de fusão ou aquisição formará uma empresa maior, com mais patrimônio e melhor capacidade de barganha. Quanto às tarifas, não existe uma opinião geral.
O presidente da Teleco, Eduardo Tude, lembrou que ambas as empresas atuam em três mercados: telefonia fixa, móvel e internet banda larga. Na avaliação do especialista, no âmbito do serviço fixo não deve haver mudança ao consumidor. “As duas empresas atuam em áreas geográficas diferentes. E nas suas áreas de atuação, já são quase que monopolistas, possuem cerca de 90% do mercado”, afirmou.
Participação
A Oi possui operações em boa parte do Nordeste, Norte e Sudeste brasileiros: Amazonas, Roraima, Pará, Piauí, Amapá, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Além disso, foi anunciado no final do ano passado a compra de domínio para operação na Grande São Paulo.
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A Brasil Telecom, por sua vez, fica com o Acre, Rondônia, Mato Grosso, Tocantins, Goiás, Brasília, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. “As duas empresas se juntando terão uma atuação nacional, melhorando o serviço de banda larga”, afirmou Tude.
Acirramento da concorrência
Na avaliação do presidente da Teleco, a formação de uma empresa mais forte no Estado de São Paulo criaria concorrência direta com Tim, Vivo e Claro. O resultado seriam tarifas menores aos consumidores. “Ela teria 20% de participação no mercado paulista, onde os preços são muito altos”, explicou, adicionando que o minuto do celular pré-pago no estado é cerca de 10% mais caro do que a média.
No que diz respeito a serviços pós-pagos, não deve ocorrer mudanças significativas, uma vez que os produtos oferecidos divergem bastante. “Mas deve haver mais oferta de pacotes de minutos”, previu.
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Mais “músculos”
Para Olavo Henrique Furtado, consultor do núcleo de negócios internacionais da Trevisan Consultoria, a compra da BrT pela Oi estimulará investimentos no setor de telecomunicações. “Essa novidade de fusões e aquisições não é um fenômeno isolado, nem do ponto de vista nacional quanto do internacional”, afirmou.
Segundo Furtado, pelo fato de o setor em questão possuir investimentos muito onerosos, é importante que as empresas que nele operam possuam um potencial de aplicação muito forte. “A empresa pode até parecer grande, mas precisa ser maior ainda”, resumiu.
Quanto maior for a companhia, explicou, “há mais músculos para investir”. “A grande vantagem do negócio seria a tecnologia e a capacidade de melhorá-la”, adicionou. O risco de haver uma centralização do mercado e uma possível oneração ao consumidor final, por meio de maiores tarifas, contudo, não é descartado. “Tudo depende de como a agência reguladora do setor, a Anatel, vai agir”, disse.
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Cautela
Na opinião do Idec (Instituto Nacional de Defesa do Consumidor), a operação deve ser enxergada com cautela. “Ela pode representar uma concentração muito grande no setor de telefonia, inibindo a concorrência”, afirmou Luiz Moncau, advogado do instituto.
A entidade ainda não sabe se tomará alguma medida judicial contra a proposta. “Ao que parece, por enquanto surgiu um boato de que isso deve ocorrer. Para que isso ocorra, é preciso, inclusive, uma mudança no decreto de outorga, então existe um impedimento legal”, disse.
O negócio
Na manhã da última quinta-feira (10), a Brasil Telecom (BRTO4) e sua controladora BrT Participações (BRTP4) enviaram ao mercado nota oficial desmentindo os rumores de que o grupo “estaria prestes” a ser vendido à Oi (TNLP4). De qualquer maneira, a proposta existe e é estudada.
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Afirma-se que a proposta da ex-Telemar seria no valor de R$ 4,8 bilhões.