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SÃO PAULO – Uma confrontação entre supercarros eclodiu no Salão do Automóvel de Detroit. O carro esportivo azul brilhante GT, da Ford Motor, e o modificado Acura NSX vermelho vivo, da Honda Motor, fizeram barulho no dia de abertura da exposição para a mídia, com os simpatizantes escolhendo seus lados como se os carros fossem adversários em um mata-mata no futebol. A paixão no entorno dessas máquinas de preços altos e grande força contrastou com a pouca atenção dada aos sedãs sóbrios e aos carros amigos do meio ambiente.
“Este é um sinal de que o mercado está de volta”, disse Jake Fisher, editor de carros da revista Consumer Reports. “As fabricantes de automóveis estão cumprindo os sonhos das pessoas em vez de apenas atenderem as necessidades delas”.
A Ford e a Honda, após o que foi para as duas seu maior ano de vendas desde 2006, estão ansiosas por exibir suas proezas de engenharia e demonstrar que os supercarros não são um domínio apenas de designers alemães e italianos.
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E ficaram para trás os dias em que as fabricantes de automóveis disputavam para ver quem parecia ter mais consciência ambiental. Nos casos do GT e do NSX, trata-se de excesso e exuberância, ao mesmo tempo em que mostram tecnologias eficientes, como fibra de carbono leve, no caso do Ford, e um sistema de propulsão híbrido-elétrico, no Acura.
Enquanto respondia a perguntas de repórteres que se amontoavam perto de um GT rebaixado cheio de curvas na arena Joe Louis, Bill Ford zombou de uma pergunta sobre a eficiência de combustível desse monstro de mais de 600 cavalos.
Eficiência de combustível
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“Você não compra esse carro pela economia de combustível”, disse o presidente-executivo do conselho da Ford, rindo. “Há muita tecnologia para economia de combustível aqui, mas eu estaria mentindo se dissesse que o objetivo é a eficiência de combustível”. O carro da Ford tem um motor V6 EcoBoost com duplo turbo.
No stand da Acura, Erik Berkman, vice-presidente-executivo de planejamento da fabricante de automóveis, mostrou-se aliviado porque o NSX finalmente foi terminado após anos de atrasos. A recessão global havia forçado a fabricante a engavetar o desenvolvimento do supercarro de alta tecnologia, que chega a 550 cavalos de potência e tem preço de US$ 150 mil.
“Isso foi desmoralizante”, disse Berkman. “Mas agora a economia está de volta, nós estamos lucrando, a confiança do consumidor está em alta e nós temos uma gasolina a US$ 2 (por galão, medida para 3,78 litros). A vida é boa”.
O NSX é fundamental para a necessidade da Acura de se diferenciar dos carros da Honda que levam a marca homônima, disse Mike Accavitti, vice-presidente da Acura, em entrevista.
Libertar
“Estamos tentando nos libertar da nave-mãe”, disse ele. “A Honda é uma grande marca – eu a adoro. Mas o maior desafio da Acura é o fato de estar muito intimamente associada à Honda. Nós temos que dar uma identidade própria à Acura”.
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As fabricantes de automóveis deverão vender perto de 17 milhões de carros e veículos truck nos EUA neste ano, mais que os 16,5 milhões do ano passado e que os 10,4 milhões registrados quando o setor passou por sua pior baixa, em 2009. As empresas de carros quase saciaram a demanda reprimida para substituição dos carros antigos e os consumidores estão começando a buscar mais emoção, disse Lacey Plache, economista-chefe da empresa de pesquisas Edmunds.com. “O sentimento mudou bastante”, disse Plache. “As pessoas estão prontas e dispostas a gastar dinheiro novamente”. As fabricantes de automóveis ficarão felizes em ajudá-las nisso.
Quando o GT for à venda, no ano que vem, terá um preço bastante mais elevado que os US$ 150 mil que o carro custava quando a Ford descontinuou o modelo, em 2006, segundo uma fonte familiarizada com os planos da Ford. Em troca de uma quantia desse nível, os motoristas terão um carro veloz, com motor central, que deverá ir de 0 a 100 quilômetros por hora em menos de 4 segundos.
“As pessoas querem ser bem vistas em seus veículos e nós, como empresa, nunca podemos esquecer disso”, disse Mark Fields, CEO da Ford, em entrevista. “Nós não permitiremos que os nossos veículos se transformem em eletrodomésticos”.