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Afinal, existe ou não neste início de ano uma reedição da invasão argentina em Santa Catarina observada em 2025? Depende de como é feita a comparação. Pesquisa da Fecomercio SC mostra que o percentual de “hermanos” no litoral catarinense nas duas primeiras semanas de 2026 é de 19%, ante taxa de 22% no mesmo período do ano passado.
Mas a presença de argentinos ainda é significativamente superior à registrada em 2024, quando eles representavam apenas 10% do total de visitantes nas duas primeiras semanas do ano, pondera a Federação do Comércio local.
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Não perca a oportunidade!
A Fecomercio SC detalha que a queda neste ano é mais acentuada na capital Florianópolis, onde a participação dos argentinos recuou de 39% para 24%. Segundo os pesquisadores da Fecomércio, há alguns fatores contribuindo para esse resultado.
Um deles é que o Índice de Confiança do Consumidor Argentino registrou retração de 1,04% em dezembro. Também é lembrado o aumento do endividamento das famílias no país vizinho, que passou a representar 5,4% do Produto Interno Bruto (PIB).
Vantagem cambial menor
Outro fator lembrando pelo presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, é que a valorização do real ao longo de 2025 também pode ter influenciado o cenário. A moeda brasileira acumulou alta de 11% em relação ao dólar no ano passado, tornando o Brasil um destino relativamente mais caro para os argentinos.
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“Na temporada passada, o Brasil estava muito barato para eles. Havia uma diferença enorme entre os preços praticados aqui e na Argentina. Neste ano, esse gap está bem menor, o que ajuda a explicar essa redução na presença deles nas nossas praias”, afirmou Dagnoni em nota.
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Estrangeiro gasta mais
O gasto médio geral por grupo de turistas no Estado apresentou leve retração de 2% no período pesquisado, passando de R$ 8.358 em 2025 para R$ 8.179 em 2026. Essa queda, no entanto, foi puxada principalmente pelo público brasileiro.
Já o gasto médio do turista estrangeiro cresceu 4,6%, passando de R$ 11.532 para R$ 12.063.
Entre os turistas estrangeiros em Santa Catarina, os argentinos seguem predominando, com 81% do total. Os outros 19% são formados por uruguaios, paraguaios, chilenos e europeus.
Apesar de Florianópolis ter sido a cidade mais impactada pela redução da presença argentina, outros municípios registraram aumento proporcional de visitantes do país vizinho, como Laguna (de 7% para 20%) e Imbituba (de 9% para 19%).