Publicidade
SÃO PAULO – O caos no setor aéreo tem afetado diretamente a confiança do consumidor que sairá de férias nos próximos meses. Um levantamento realizado pela Fundação Getúlio Vargas, entre os dias 2 e 20 de julho, mostrou que apenas 25% dos 2 mil entrevistados pretendem viajar em férias nos próximos seis meses. Desse total, apenas 37,8% planejam usar o avião. No mês passado, essa era a intenção de 41,7% das pessoas que pretendiam viajar.
“E na minha opinião esse é um panorama que tende a aumentar nos próximos meses. A pesquisa mostra que as pessoas estão muito desconfiadas sobre a eficiência do setor aéreo brasileiro. Acredito que o acidente da TAM, no último dia 17, vai refletir na confiança do consumidor nos próximos meses, diminuindo a intenção de se viajar de avião durante as férias”, afirma o coordenador de Sondagens Conjunturais da FGV, Aloísio Campelo.
Segundo Campelo, essa desconfiança começou a aparecer com o acidente do Boeing da Gol em outubro do ano passado e já estava quase se normalizando, mas o acidente com o Airbus da TAM deve fazer as dúvidas sobre viajar de avião aumentarem.
InfoMorning
Informações, análises e recomendações que valem dinheiro
Novos passageiros e viagens pelo Brasil
Campelo explica ainda que o número de pessoas que pretendem viajar de avião só não é menor por causa dos novos clientes das companhias aéreas.
“Muitas pessoas de baixa renda estão começando a voar em razão das promoções em que as operadoras oferecem passagens aéreas a preço de passagens rodoviárias. Para esse consumidor – para quem tudo é novidade e que nunca viajou de avião – voar continua sendo a melhor opção. Mas para as pessoas de alta renda, acostumadas a voar, não está valendo a pena encarar o caos aéreo na hora de sair de férias. Por isso a intenção de vôo não caiu tanto, porque a novidade para uns compensa o receio dos outros”.
A sondagem da FGV constatou ainda que, entre as pessoas que pretendem sair de férias, aumentou a intenção de fazer roteiros pelo Brasil. Nas 7 capitais avaliadas, 81,07% das pessoas entrevistadas em julho deste ano disseram que pretendem fazer viagens nacionais. Em julho de 2006, essa porcentagem era para 71,06%.
Continua depois da publicidade
“Na visão de qualquer economista, o mais correto seria afirmar que as viagens internacionais cresceriam, já que o dólar apresenta forte desvalorização frente ao real, e portanto, está mais barato viajar para fora do Brasil do que há alguns anos. Mas o que percebemos é que as pessoas estão mesmo optando por roteiros internos, para poder viajar de ônibus e carro e evitar os transtornos que os aeroportos têm oferecido nos últimos meses”, garante o coordenador.