FGV: alta renda desiste mais de viajar de avião do que classes mais baixas

Mesmo utilizando menos o serviço, famílias com renda de até R$ 2,1 mil estão mais dispostas a viajar de avião

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SÃO PAULO – As pessoas de classe baixa se importam menos com a crise aérea do que as de classe alta. A análise é do coordenador de sondagens conjunturais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Aloisio Campelo, baseado no Índice de Confiança do Consumidor (ICC), que apontou que o número de pessoas que pretendem usar o avião como transporte nas férias cresceu de 34,4% em agosto para 37,1% em setembro.

Campelo explica que são as pessoas com renda familiar até R$ 2.100 as que estão mais dispostas a usar o avião como meio de transporte. “Lógico que o número de pessoas de classe baixa que utilizam esse meio de transporte é menor que os de classe alta, mas entre eles a crise aérea não afetou muito a intenção de vôo. Já entre a classe que ganha mais de R$ 9.600, o índice de intenções de vôo continua caindo (de 45,4% em agosto para 42,4% em setembro), pois esse público prefere postergar as férias, do que enfrentar horas de espera no aeroporto”, garante.

Avião x Carro

O coordenador considera que o crescimento nas intenções de vôo é um primeiro indício de que a crise aérea não está afetando tanto o consumidor. Campelo explica, no entanto, que a situação ainda não pode ser considerada normal. “Em maio de 2007, 43% das pessoas que pretendiam viajar de férias, iam usar o avião como transporte, e em julho, esse número caiu para 41%. A partir daí o índice continuou caindo para 34,8% em julho e para 34,4% em agosto, subindo para 37,1% agora. Ainda não é uma recuperação significativa que indique normalidade, mas os números pararam de descer”.

Para Campelo, a situação só estará normal quando o número de pessoas querendo viajar de carro for menor do que os que pretendem viajar de avião.

“O índice de setembro deste ano mostrou que, das pessoas que querem viajar, 37,1% farão isso de avião e 40,1% de carro. Em 2006 a situação era inversa, 41,8% iam viajar de avião, enquanto 33,3% utilizariam carro”.

O coordenador conta que, com as diversas promoções oferecidas pelas empresas aéreas, as pessoas estavam preferindo viajar de avião, até o acidente da gol, em setembro de 2006. “A partir daí, o índice começou a cair, subiu um pouco no início desse ano, mas com o acidente da TAM, as pessoas ficaram bem receosas com esse meio de transporte”.