Ferrari sobrevive a boom imobiliário de Seattle e mulheres reformulam cidade

Embora elas tenham uma abordagem diferente, seu impacto destaca as mudanças na cidade de mais rápido crescimento entre as 50 maiores dos EUA

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O fato de a Ferrari ser a única concessionária de veículos que restou na área chamada Auto Row é um sinal da explosão imobiliária urbana de Seattle. As outras foram engolidas pelas novas construções.

A aglomeração de restaurantes, lojas e apartamentos que chegaram desde que Liz Dunn concluiu seu primeiro projeto no bairro, 13 anos atrás, ajudou a transformar Capitol Hill, um dos distritos mais antigos da cidade, disse Tino Perrina, que administra a Ferrari Maserati of Seattle. “Ela foi o início”.

Dunn faz parte de um grupo de incorporadoras que inclui Lisa Picard, da Skanska USA, e Ada Healey, da Vulcan Inc., e que está transformando bairros históricos ou criando novos distritos perto do centro urbano durante a maior expansão da construção civil em três décadas em Seattle. A construção está se espalhando para acompanhar empregadores como a Amazon.com Inc., que estão contratando e somando novos espaços de escritórios– e criando uma necessidade de moradias – perto do centro.

“Ainda é um pouco raro ver mulheres no setor de desenvolvimento imobiliário”, disse Jim Castanes, fundador da Castanes Architects, de Seattle. “Muitas mais mulheres entraram nesse campo, mas muito poucas chegaram ao topo, como Liz, Lisa e Ada”.

Embora elas tenham uma abordagem diferente, seu impacto destaca as mudanças na cidade de mais rápido crescimento entre as 50 maiores dos EUA. Os aluguéis residenciais subiram 13 por cento em dois anos e até setembro o preço médio dos imóveis saltou 12 por cento em um ano, para US$ 517.000. O valor representa oito vezes a renda familiar anual média de 2012 do país, muito acima da proporção considerada acessível, de três vezes.

Pisar no freio em relação à construção, como alguns críticos têm sugerido, apenas pioraria os problemas de acessibilidade, disse Picard, 46. A construção continuará “a menos que encontremos uma forma de impedir que Seattle seja um lugar atrativo para viver”.

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Ciclovia

Lisa Picard, a executiva de desenvolvimento na Costa Oeste dos EUA da maior empresa de construção da Escandinávia, iniciou seu primeiro projeto para a Skanska em agosto: uma nova sede para a fabricante de tênis de corrida Brooks Sports Inc. A unidade da Berkshire Hathaway Inc. mudou para Seattle após 20 anos no subúrbio quando Picard convenceu o CEO Jim Weber a respeito de um lugar em frente à principal pista de corrida e ciclovia da cidade. Agora, Picard está construindo um edifício de escritórios de 14 andares em South Lake Union, pré-alugado pela inquilina Tommy Bahama Inc., a rede varejista com sede em Seattle conhecida pelas camisas estilo havaiano.

“Ela conquistou a nossa marca imediatamente”, disse Weber, que começou a buscar um lugar na cidade em 2010 depois que a Brooks cresceu além do espaço que possuía em Bothell, Washington. A Brooks tem quase 600 funcionários, cerca de 260 em sua sede, e terá vendas de cerca de US$ 540 milhões neste ano.

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Melrose Market

Liz Dunn, 50, é reconhecida em Seattle por ter transformado em 2010 uma velha garagem nos limites do centro em um mercado coletivo estilo europeu com um açougue, um estabelecimento que comercializa frutos do mar, um bar, uma floricultura e o restaurante Sitka Spruce. Trabalhando com o construtor Scott Shapiro, Dunn usou como modelos para o Melrose Market lugares como Borough Market, em Londres, e rue de Buci, em Paris.

Deste trio, Ada Healey, 52, supervisiona, de longe, a maior carteira imobiliária. Ela administra investimentos imobiliários para o bilionário Paul Allen, dono do time de futebol americano Seattle Seahawks e cofundador da Microsoft Corp. Desde que entrou na Vulcan em 2001, vindo da antiga ING Clarion, Healey criou 25 edifícios, totalizando 501.660 metros quadrados e ajudando a forjar o distrito conhecido como South Lake Union.

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“Era muito diferente quando eu vim para esse bairro”, disse Perrina, o gerente-geral da concessionária da Ferrari, referindo-se a Capitol Hill. “Agora os clientes que deixam seus carros para um serviço têm uma série de restaurantes, cafeterias e shoppings para escolher. Seattle está emocionante”.

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