Fecomercio: confiança do consumidor desacelera em março

Avaliação dos consumidores com renda acima de 10 salários mínimos quanto à situação no médio prazo afetou resultado

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SÃO PAULO – Embora de forma bastante moderada, o otimismo do consumidor da região metropolitana de São Paulo mostra sinais de arrefecimento neste mês de março, segundo mostra a pesquisa da Fecomercio SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), divulgada nesta quarta-feira (08).

O ICC (Índice de Confiança do Consumidor) registrou pequena variação de -0,1%, e praticamente estabilizou-se na atual marca de 138,1 pontos. No entanto, em relação a março de 2005 (146,4 pontos), houve retração de 5,7%.

Vale lembrar que o indicador varia de 0 a 200 pontos, apontando otimismo acima dos 100 pontos e pessimismo abaixo desta marca.

Momento contraditório

A aparente estabilização desta confiança, medida pelo ICC, é atribuída às variações do IEC (Índice de Expectativas do Consumidor) e do ICEA (Índice de Condições Econômicas Atuais).

O primeiro mede a percepção quanto ao futuro e registrou, neste mês de março, 142,9 pontos, marca 1,4% inferior à apurada em fevereiro. Em contrapartida, o ICEA, que mede o grau de otimismo em relação ao presente, subiu 2% em relação ao mês passado, com 130,9 pontos.

Segundo o presidente da Fecomercio, Abram Szajman, a contradição entre as duas avaliações decorre, principalmente, de um processo de ajuste dos sentimentos em relação a um período de turbulências ocasionado por fatores econômicos e, sobretudo, políticos.

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Economia desanima

Segundo a Fecomercio, a variação negativa em relação ao futuro (IEC) foi impulsionada, principalmente, pela queda na avaliação dos consumidores com renda superior a 10 salários mínimos. Tal comportamento, de acordo com a pesquisa, reflete a percepção de que a recuperação da economia brasileira ocorrerá de forma mais discreta, como reflexo da manutenção das altas taxas de juros.

Esta questão é relacionada também ao alto grau de endividamento dos consumidores nos últimos meses, após o período onde se concentram tantas despesas de início de ano, além do efeito das dívidas contraídas para o Natal de 2005.

Mulheres pessimistas

O ICC de março revela ainda pessimismo maior entre as mulheres, comprovado pelo índice, que recuou 1,4% em comparação com a medição de fevereiro.

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Segundo a Fecomercio, a percepção das consumidoras se justifica por acompanharem mais de perto as contas da casa, o que as torna mais sensíveis para as mudanças econômicas do dia-a-dia.