Falta de autopeças no varejo pode afetar consumidor

Para evitar que o mercado paralelo produza autopeças similares, algumas montadoras registraram as peças como propriedade intelectual

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SÃO PAULO – A aalta de autopeças para reposição tem gerado conflitos entre montadoras e entidades do setor automotivo. Enquanto as montadoras Ford, Fiat e Volkswagen usam a lei para impedir que o mercado paralelo de autopeças produza itens de substituição para seus carros, a Anfape (Associação Nacional dos Fabricantes de Autopeças) acusa a indústria de não ter peças suficientes para a reposição, o que pode gerar problemas aos consumidores.

De acordo com a Agência AutoInforme, para evitar que o mercado paralelo de autopeças produza itens de abastecimento, as três montadoras registraram as peças como propriedade intelectual. Sendo assim, a cópia das peças pode ser considerada plágio.

Para o presidente da Anfape, Renato Fonseca, deve ser assegurada a qualidade das peças e do atendimento ao consumidor. “É preciso garantir alta qualidade no atendimento ao consumidor. Algumas montadoras, como a Ford, Fiat e Volkswagen, não conseguem abastecer o mercado de reposição, mas não querem que outras empresas façam. É inaceitável deixar o consumidor numa situação de tamanha fragilidade como a que se encontra”, afirma.

Outras montadoras também são afetadas pela falta de peças, conforme mostra o ranking completo:

Ranking Montadora
1º Ford
2º Peugeot
3º Hyundai
4º Citroën / Fiat / Kia
5º Volkswagen
6º Honda / Nissan / Renault / Suzuki
7º Chevrolet
8º Outras

Contra a propriedade intelectual
Uma pesquisa realizada pelo Sindirepa-SP (Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de São Paulo) revelou que as três montadoras estão entre as cinco primeiras no ranking de desabastecimento de peças.

Segundo a pesquisa, a Ford lidera o ranking brasileiro, enquanto a Fiat aparece em quarto lugar, seguida pela Volkswagen.

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Em nota, o presidente da Anfape revelou que a situação é ruim para o brasileiros e pode impactar diretamente na economia brasileira. “É uma situação, no mínimo, constrangedora para os brasileiros. Se buscam extinguir as [fabricantes] independentes – e isso, é claro, impactará diretamente na economia do País, visto que o setor de reposição gera mais de 934 mil empregos diretos em mais de duas mil indústrias, mais de mil distribuidores, 35 mil varejistas e 120 mil oficinas -, então, deveriam atender corretamente à demanda do mercado de autopeças, mas não é o que acontece, pois ocupam lugares de grande destaque no ranking do Sindirepa-SP”, explica.

De acordo com a Anfape, o estudo foi enviado para a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) e para a Abeiva (Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores), a fim de que as montadoras fiquem cientes da situação e tomem as devidas providências para regularizar o abastecimento de peças no mercado de reposição.

Embora as montadoras se defendam, afirmando que a iniciativa de registrar as peças é com o intuito de manter a qualidade dos itens, a Anfape afirma que as paralelas também são de qualidade. “As peças não originais disponíveis no varejo também têm qualidade, marcas próprias, garantia e seguem rigorosos padrões de excelência, muito diferente da imagem que as montadoras tentam propagar, de baixa qualidade. Isso sem entrar no mérito do preço , que chega a ter diferença maior que 30%, dependendo do item”, afirmou em nota.