Expectativa de aumento da inflação pressiona intenção de compra de bens duráveis

Para o segundo trimestre deste ano, 58% dos brasileiros pretendem comprar item de tal categoria, revela Provar

Publicidade

SÃO PAULO – Para o segundo trimestre de 2012, a intenção de compra de bens duráveis mostrou retração. Dos brasileiros, 58% pretendem comprar itens de tal categoria, frente a taxa de 60,6% observada no primeiro trimestre deste ano. A expectativa de aumento da inflação é um dos principais motivos que ajudam a explicar a retração.

Vale destacar que a queda acontece em meio aos anúncios dos bancos estatais – Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal – de redução de suas taxas de juros. De acordo com o presidente do conselho do Provar (Programa de Administração de Varejo) da FIA (Fundação Instituto de Pesquisa), Claudio Felisoni de Angelo, apesar da redução das taxas, o nível da inadimplência no Brasil continua muito alto, o que fará com que os bancos sejam bastante criteriosos para oferecer o crédito.

Taxas de juros
Em relação aos bancos privados, configura-se uma situação complicada. Pois, se de um lado o governo quer forçar a redução das taxas, por outro, os bancos privados querem que o governo ofereça melhores condições operacionais, condições estas que implicam custos no processo de financiamento e que limitam a redução de suas taxas.

Os dados que revelam a intenção de compra dos consumidores, para o período que vai de abril a junho deste ano, fazem parte da Pesquisa Trimestral de Intenção de Compras no Varejo, elaborado pelo Provar em parceria com a Felisoni Consultores Associados. A pesquisa leva em conta elementos como a renda da população, a taxa de desemprego, o volume de crédito disponível no mercado, a situação da inadimplência entre outros.

Tanto a renda como o mercado de trabalho apresentam níveis positivos, o que é favorável ao consumo. Porém, a inflação restringe a intenção de compras. Os bancos também não podem elevar sua oferta de crédito frente ao alto nível de inadimplência e os spreads bancários.

Para o presidente, os altos níveis de inadimplência deverão se manter até junho deste ano e, a partir daí, pode-se esperar melhora na taxa e possivelmente no consumo.

Continua depois da publicidade

Classe C
Durante a apresentação da pesquisa, Angelo também destacou a importância da classe C no consumo do Brasil. O aumento da classe de renda intermediária de certa forma ofusca os problemas provenientes da crise financeira internacional. Essa classe ainda será a grande responsável por não permitir uma queda mais acentuada do PIB (Produto Interno Bruto) este ano.

Essa categoria consome, sobretudo, itens de linha branca, estimulados inclusive pela redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).