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SÃO PAULO – Durante o governo de Barack Obama, o etanol do Brasil poderá ganhar estímulo e espaço no mercado norte-americano, afinal, o novo presidente já se mostrou simpático a causas ambientais.
Para se ter uma ideia, a meta dos Estados Unidos é consumir 136 bilhões de litros de etanol em 2022. O consumo atual é de 30 bilhões, enquanto no Brasil é de 25 bilhões.
“Se Obama mantiver essas metas de consumo de etanol, pode ser que considere necessária a complementação do mercado americano com importação e, nesse caso, a expectativa é de que aceitaria reduzir, para um certo volume de exportação, a tarifa aplicada hoje sobre o etanol brasileiro”, afirmou o diretor-geral do Instituto Ícone de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais, André Nassar.
Atualmente, os EUA aplicam uma tarifa de US$ 0,54 por galão de álcool brasileiro, o que inibe a entrada de produto naquele país.
Eficiência energética aliada à sustentabilidade
Para Nassar, a preocupação de Obama com uma maior eficiência energética também poderia se traduzir na participação dos EUA no Protocolo Pós-Kyoto e no novo mecanismo de desenvolvimento limpo para o comércio de carbono, com redução das emissões de gases de efeito estufa.
“Os americanos têm uma matriz energética muito pesada em termos de emissão de CO2. Se eles tiverem que limpar essa matriz, isso tende a abrir oportunidades para o Brasil, sobretudo no etanol”, ressalta.
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Além de uma maior venda de etanol, o Brasil poderia atrair investimentos americanos em energia limpa e também desenvolver parcerias em transferência, pesquisa e desenvolvimento de tecnologia.
A questão dos subsídios
Já em relação ao mito do protecionismo democrata e o reflexo para o agronegócio brasileiro, Nassar pondera que os subsídios para grãos estão definidos na Lei Agrícola e variam conforme os preços do mercado internacional.
A lei atual foi aprovada em meados do ano passado e vale até 2013. “Em termos de política agrícola e subsídios para grãos, a entrada de Obama não muda nada. É o que a lei define e acabou”, resume Nassar.
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Ele lembra que no governo Bill Clinton, os preços caíram muito e o presidente foi pressionado pelo Congresso a conceder subsídios complementares ao setor agrícola. Isso poderia acontecer de novo, mas, segundo o especialista, é pouco provável.
“O déficit americano nunca foi tão grande e os momentos em que eles supersubsidiaram o setor agrícola coincidem com momentos de menor déficit. Acho que, se os produtores baterem no Obama, pedirem além do que estipula a Lei Agrícola, acho que não vão conseguir”, analisa.
Boas expectativas
Já em relação a Rodada Doha da OMC (Organização Mundial do Comércio), não se sabe se as negociações serão prioridade do novo governo. Mas Nassar alerta que “é importante para a gente encerrar esse assunto e partir para coisas mais ambiciosas”.
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De qualquer forma, a expectativa é favorável, de uma forma geral. O especialista lembra que, dados os últimos anos de unilateralismo americano, que foi o que assistimos no governo Bush, os democratas estão entrando com uma postura de maior abertura para conversas internacionais.
“Como isso vai se traduzir na prática, é algo que ainda não está claro, mas a tendência é achar que a forma que Obama está propondo é positiva ao Brasil”, analisa.
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