Publicidade
Na hora de entrar em um consórcio, o que normalmente pesa mais é o tamanho da parcela no orçamento. Mas quando o assunto é contemplação, o que realmente pode fazer diferença é a dinâmica do grupo escolhido.
Para o consorciado, é importante saber que grupos da mesma modalidade e com cartas e prazos semelhantes podem ter dinâmicas completamente diferentes. Isso acontece porque um grupo de consórcio funciona como uma espécie de ecossistema próprio, influenciado pelo perfil dos participantes, inadimplência, estágio e tipo de bem financiado.
E também existem diferenças entre quem entra buscando apenas o sorteio, quem já pretende ofertar lance desde cedo ou quem aceita esperar mais em troca de parcelas menores. Para entender que vale observar na escolha do consórcio, o InfoMoney conversou com especialistas sobre os principais sinais de saúde do grupo, e outros fatores que influenciam a chance real de contemplação.
Estude no exterior
Faça um upgrade na carreira!
Indicadores importantes de um grupo de consórcio
Alguns indicadores ajudam a entender se o grupo tende a ser mais previsível ou se pode enfrentar mais oscilações ao longo do tempo.
A inadimplência é um dos principais deles, segundo o diretor de marketing e produtos do Mycon Consórcios Bruno Borges.
“Grupos com menor inadimplência tendem a ser mais previsíveis, o que favorece a regularidade das contemplações, especialmente por sorteio”, alerta.
Continua depois da publicidade
Já Thiago Savian, sócio-diretor da Unifisa, traz outro indicador para a análise: a taxa de ocupação do grupo. Segundo ele, grupos mais preenchidos costumam ter mais estabilidade operacional e financeira ao longo do tempo.
Borges também chama atenção para outro aspecto: contemplações por sorteio e por lance funcionam de maneiras diferentes dentro do consórcio.
Na prática, isso significa que um grupo pode ter boa adimplência e ainda assim apresentar lances bastante agressivos, dependendo do perfil dos consorciados. Em grupos em que muitos participantes entram com intenção de antecipar rapidamente a contemplação, a concorrência tende a aumentar.
Outro ponto importante é avaliar a administradora responsável pelo grupo. Borges recomenda verificar se a empresa é autorizada pelo Banco Central e observar fatores como reputação, transparência das regras e clareza das informações sobre assembleias e lances.
Leia também:
- Consórcio imobiliário além do básico: como usá-lo no planejamento patrimonial
- Pensando nas férias? O consórcio de viagem pode ajudar no seu planejamento
Estágio e tamanho do grupo: o que muda na dinâmica dos lances
O momento em que a pessoa entra em um grupo pode afetar desde o comportamento dos lances até o tempo máximo de espera pela contemplação.
“Historicamente, ao entrar em um grupo novo os lances costumam ser maiores, pois muitos participantes entrantes estão com alta expectativa de contemplação”, explica Thiago Savian.
Continua depois da publicidade
Segundo ele, essa dinâmica costuma mudar conforme o grupo amadurece. “Ao decorrer do tempo sobram os consorciados com perfil de programação, e com isso os lances vão diminuindo”, afirma.
O diretor da Unifisa observa que, nos grupos que já percorreram entre 30% e 50% do prazo, os lances costumam ser menores do que os recém-formados. Em compensação, as parcelas tendem a ficar maiores, já que o saldo de prazo para diluição da carta é menor.
Além do comportamento dos participantes, o estágio financeiro do grupo interfere nas contemplações, pois ele evolui de acordo com a formação do fundo comum.
Continua depois da publicidade
“Nos grupos em andamento, especialmente os intermediários, o fundo comum costuma estar mais robusto e existe um histórico concreto de contemplações e lances”, diz Bruno Borges.
Já grupos em fase final costumam ter menos participantes ativos disputando contemplação, mas também oferecem menos tempo restante até o encerramento do contrato.
O tamanho do grupo também altera essa dinâmica. Grupos maiores normalmente arrecadam mais por mês, o que pode aumentar o número de contemplações por assembleia. Por outro lado, isso também tende a elevar a concorrência.
Continua depois da publicidade
Savian destaca que grupos maiores conseguem realizar diferentes modalidades de contemplação simultaneamente. “uma contemplação por sorteio da loteria federal, uma por lance livre, uma por lance fixo e quantas cotas forem possíveis contemplar com o saldo do grupo”, explica.
Ao mesmo tempo, ele lembra que grupos menores podem interessar a quem pretende depender apenas do sorteio. “Se a intenção for concorrer apenas pelo sorteio da loteria federal, essa pode ser uma boa estratégia para aumentar a chance de contemplação”, afirma.
Não existe grupo “perfeito”: a escolha depende da sua estratégia dentro do consórcio
Na prática, o principal é entender qual dinâmica faz sentido para o objetivo e realidade financeira do participante.
Continua depois da publicidade
Quem tem mais urgência, normalmente considera estratégias de lance e grupos com histórico mais previsível. Já quem não depende de contemplação rápida pode priorizar parcelas menores e mais prazo de diluição.
O próprio perfil do bem também influencia o comportamento do grupo. Bruno Borges explica que consórcios imobiliários normalmente reúnem participantes com visão mais patrimonial e planejamento mais longo, enquanto grupos de veículos tendem a ter dinâmica mais acelerada.
Thiago Savian destaca que existe ainda uma regra interna importante na composição das cartas de crédito: dentro de um mesmo grupo, a diferença entre o maior e o menor crédito não pode ultrapassar 50%.
“Isso garante uma disputa equilibrada na oferta de lances, pois evita que participantes com cartas muito superiores distorçam completamente a dinâmica dos lances dentro do grupo”, explica.
Outro ponto importante é entender que grupos em andamento não necessariamente significam contemplação mais fácil. Em alguns casos, participantes mais antigos já entram preparados para ofertar lances altos desde o começo da jornada.
Por isso, os especialistas recomendam que a entrada em um consórcio seja feita olhando para todo o conjunto.
“O mais importante é entender que não existe ‘grupo perfeito’. A escolha depende do objetivo de compra, da urgência para uso do crédito, da capacidade de ofertar lances e do planejamento financeiro de cada pessoa”, resume Borges.